Por Redação MVE
A gigante brasileira do setor de carnes JBS está no centro de uma nova controvérsia internacional. A companhia foi alvo de 14 denúncias encaminhadas a autoridades de quatro países europeus por suspeitas de lavagem de dinheiro associada à comercialização de gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia.
As denúncias foram apresentadas nesta quinta-feira (5) pela Coalizão Jurídica Transnacional (TLC), formada por organizações ambientais e de direitos humanos, a autoridades do Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Países Baixos.
O caso também envolve instituições financeiras, gestores de investimentos e prestadores de serviços ligados às operações internacionais da empresa.
Levantamento aponta 6,5 milhões de hectares desmatados
As acusações são fundamentadas em um estudo da organização AidEnvironment, que analisou a cadeia de fornecimento de gado da JBS nos estados de Mato Grosso, Pará e Tocantins.
O levantamento identificou 12.576 fornecedores diretos e indiretos e relacionou suas propriedades a aproximadamente 6,5 milhões de hectares de desmatamento acumulado desde 1988.
Segundo os pesquisadores, mais de 80% das propriedades analisadas na amostra apresentaram registros de desmatamento em áreas legalmente protegidas.
Entretanto, a maior parte do desmatamento identificado ocorreu antes de agosto de 2008, e a associação de fornecedores a essas áreas não significa, isoladamente, que todas as operações tenham sido criminosas.
Suspeitas chegam às autoridades europeias
A coalizão sustenta que a comercialização de gado criado em áreas desmatadas ilegalmente pode gerar recursos provenientes de atividades criminosas.
Com base nessa interpretação, as organizações pedem que autoridades europeias investiguem possíveis violações às leis de combate à lavagem de dinheiro.
Uma notícia-crime foi encaminhada ao Ministério Público dos Países Baixos contra a JBS N.V., controladora internacional da companhia.
Entre as instituições mencionadas nas denúncias estão Barclays, ING, Rabobank, BlackRock e a filial londrina do Banco do Brasil.
As acusações ainda dependem de análise pelas autoridades competentes e não representam condenação das empresas citadas.
JBS contesta acusações e defende sistema de fiscalização
Em resposta à imprensa, a JBS afirmou que não recebeu os dados completos e a metodologia utilizados no levantamento, o que, segundo a companhia, impede uma avaliação adequada das alegações.
A empresa declarou que monitora seus fornecedores de gado na Amazônia desde 2010, utilizando imagens de satélite e georreferenciamento.
Segundo a JBS, o sistema bloqueia propriedades associadas a desmatamento ilegal, áreas embargadas, sobreposição com territórios protegidos e outras irregularidades.
A companhia sustenta que mantém mecanismos de controle ambiental em sua cadeia de fornecimento.
Caso amplia pressão internacional sobre a pecuária brasileira
A apresentação das denúncias reforça o debate sobre a rastreabilidade do gado e a responsabilidade de empresas e instituições financeiras por possíveis irregularidades ambientais.
Para os autores das acusações, o combate ao desmatamento ilegal exige fiscalização não apenas das propriedades rurais, mas também das operações comerciais e financeiras que movimentam recursos no mercado internacional.
O caso poderá ter novos desdobramentos caso as autoridades europeias decidam abrir investigações formais.
Até o momento, as informações divulgadas dizem respeito a denúncias apresentadas por organizações da sociedade civil, sem comprovação judicial definitiva de lavagem de dinheiro pela JBS.











