Eleições de 2026 deixam a esquerda brasileira à beira da extinção

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Lula dificilmente conseguirá se reeleger em 2026 e até mesmo futuro de lideranças é incerto

O recado das urnas neste domingo foi muito claro: a esquerda precisa se modernizar. E para ontem.

Não adianta continuar repetindo o mantra de que é preciso combater a “extrema direita”, chamar o brasileiro de “nazista” ou tratar com desdém aquilo que seus intelectuais de estimação apelidaram de “CEO de MEI”. O eleitor parece ter pouca paciência para sermões — e menos ainda para quem tenta lhe ensinar como pensar.

A esquerda brasileira precisa entender que disputas de caráter ideológico ou identitário não enchem barriga, não diminuem a sensação de insegurança, não garantem emprego nem colocam dinheiro no bolso.

O brasileiro mudou nos últimos 20 anos. E mudou muito. Foi impulsionado pelo avanço das igrejas evangélicas, pela profusão da chamada “Teologia da Prosperidade”, pelas transformações nas relações de trabalho e, sobretudo, pela internet, que demoliu o monopólio da informação exercido durante décadas por partidos, sindicatos e setores da imprensa.

Mesmo que o cidadão não tenha colocado um único pé em uma igreja evangélica nos últimos anos, ele entendeu que pode, sim, viver — e muito bem — com um Estado mais enxuto e sem a tutela de sindicatos e dos intelectuais de plantão. Nos governos Lula 1 e 2, o eleitor dependia do Estado para ter sua casa, sua renda mínima, seu bom emprego — público ou privado -, ou mesmo das entidades para ver seus direitos mínimos garantidos.

Hoje, não. O cidadão entendeu que um Estado engessado muitas vezes mais atrapalha do que ajuda, que os sindicatos atuam apenas para manter uma laia de pelegos ativos e que setores da academia estão comprometidos com a manutenção do status quo. O último governo Lula não conseguiu recuperar a economia nem entregou ao brasileiro a famosa picanha prometida em 2022. Sobrou a propaganda. Faltou a carne.

Outro ponto: não se governa apenas com tribunais. Até hoje, é difícil para o brasileiro comum explicar por que milhares de pessoas foram condenadas por uma balbúrdia na Praça dos Três Poderes. Nem mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) conseguiu transformar essa história em algo compreensível para quem está do lado de fora da Praça dos Três Poderes.

A resposta, por óbvio, veio nas urnas: um Congresso majoritariamente bolsonarista, tanto no Senado quanto na Câmara, e mais de 56 milhões de votos para Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Nikolas Ferreira (PL-MG) terminou o pleito com mais de 3 milhões de votos; Lucas Pavanato foi eleito com mais de 2 milhões de votos.

Lula pode até ser eleito em 25 de outubro, mas provavelmente será alvo de um processo de impeachment. A esquerda teria hoje em torno de 110 parlamentares. Mesmo com o apoio de algumas siglas do Centrão, isso é insuficiente para barrar qualquer pedido fajuto de afastamento presidencial.

A esquerda está no divã. Lula minou qualquer chance de produzir um substituto à altura. Agora, não somente Lula, mas toda a esquerda brasileira, pagarão o preço por anos de arrogância, miopia eleitoral e uma desconcertante incapacidade de entender o país que dizem representar.


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