Redação MVE
O resultado do primeiro turno abriu uma crise interna na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de terminar a votação atrás de Flávio Bolsonaro (PL), dirigentes petistas passaram a discutir erros da estratégia e a cobrar mudanças para o segundo turno.
No centro das críticas está Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) e um dos principais conselheiros de Lula.
Segundo apurações do Estadão e da CNN, integrantes da cúpula petista responsabilizam Sidônio por parte dos problemas de comunicação e defendem uma guinada nas próximas três semanas.
PT admite problemas na campanha
Três petistas ouvidos pela CNN afirmaram que a campanha foi conduzida com improvisação e que parte da comunicação ficou distante das preocupações mais imediatas do eleitor.
A avaliação interna é que assuntos como custo de vida deveriam ter recebido maior atenção, enquanto a campanha dedicou espaço significativo a temas como soberania nacional e terras raras.
A Folha também relata atritos internos, escassez de material de campanha, problemas de coordenação e divergências entre os núcleos responsáveis pela comunicação.
Sidônio teve participação importante na definição da estratégia. No próprio domingo da eleição, antes do encerramento da apuração, declarou estar seguro de que Lula terminaria o primeiro turno na frente. O resultado contrariou essa expectativa.
Mudanças já estão na mesa
A insatisfação chegou ao ponto de o PT avaliar alterações na própria equipe de marketing.
Segundo a CNN, a cúpula da campanha estuda substituir Raul Rabelo, ligado profissionalmente a Sidônio, e sondar o publicitário João Santana, responsável por campanhas presidenciais anteriores do PT. Outra possibilidade seria manter a estrutura atual e incorporar Santana como consultor.
O Metrópoles também apurou que Lula avalia recorrer a João Santana para reforçar sua estratégia no segundo turno.
Críticas chegam ao próprio Lula
As cobranças, porém, não se limitam a Sidônio.
Aliados também apontam decisões do próprio presidente como fatores que teriam prejudicado a campanha, entre elas a opção de não participar do debate da Globo no primeiro turno, dificuldades na montagem de palanques estaduais e declarações improvisadas que acabaram exploradas pelos adversários.
Outros dirigentes petistas ouvidos pela imprensa fazem críticas mais amplas à condução política de Lula e afirmam que a campanha teve dificuldades para ampliar sua base além do eleitorado tradicional da esquerda.
Segundo turno começa com cobrança interna
O PT agora tenta reorganizar sua estratégia enquanto Lula se prepara para enfrentar Flávio Bolsonaro novamente nas urnas.
O quadro mostra que, além da disputa externa contra o candidato do PL, Lula inicia o segundo turno pressionado por uma discussão dentro do próprio partido sobre o que deu errado no primeiro.
A questão que a direção petista tenta responder é se uma troca de estratégia — e eventualmente de nomes na comunicação — será suficiente para corrigir os problemas apontados pelos próprios aliados.
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