Por Manuel Menezes
O governo de Roberto Cidade passou a enfrentar uma nova cobrança pública na área da saúde nesta quinta-feira (24). Profissionais do Hospital Regional de Lábrea, no sul do Amazonas, realizaram uma manifestação para denunciar o que afirmam ser aproximadamente quatro meses de atraso nos repasses de recursos destinados à saúde do município, com a pendência entrando no quinto mês.
A denúncia ganha peso porque não se limita a uma manifestação política de adversários do governador. As cobranças partiram de profissionais ligados diretamente ao atendimento da população, que gravaram vídeos e foram às ruas expor a situação.
Segundo a reportagem publicada pelo CM7, um dos manifestantes afirmou que o recurso do FTI (Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas) está atrasado e que a Prefeitura de Lábrea estaria utilizando recursos próprios para sustentar o funcionamento da unidade durante o período.
“O FTI está atrasado. Isso pode acarretar consequências severas”, afirmou um dos profissionais durante a manifestação.
FTI tem regras específicas para financiar saúde do interior
A cobrança ocorre justamente no ano em que o próprio Estado regulamentou novos critérios para a distribuição do FTI à saúde dos municípios do interior.
O Decreto estadual nº 54.239, de 26 de maio de 2026, estabelece que os recursos do fundo destinados à saúde devem ser transferidos aos 61 municípios do interior, na modalidade fundo a fundo, em três parcelas anuais. A norma afirma que esses valores são vinculados ao financiamento das ações e serviços públicos de saúde.
Lábrea, portanto, cobra esclarecimentos objetivos do governo estadual: quais parcelas foram efetivamente repassadas, quais estão pendentes, qual o valor envolvido e quando haverá regularização?
Profissionais alertam para pacientes e funcionários
Nos relatos divulgados nesta quinta-feira, os trabalhadores afirmam que a manutenção prolongada da situação pode produzir consequências para quem trabalha no hospital e, principalmente, para quem depende dele.
Um dos manifestantes declarou que o problema poderá gerar “situações delicadas” para população, usuários e funcionários do Hospital Regional de Lábrea.
A manifestação também teve conteúdo político. Um profissional fez críticas à administração estadual e mencionou Roberto Cidade, além da gestão anterior de Wilson Lima. Essas declarações representam a avaliação dos manifestantes e não, por si só, prova de responsabilidade pessoal do governador pelo atraso alegado.
Lábrea já enfrentou crises semelhantes
O problema não é inédito no Hospital Regional.
Em julho de 2024, profissionais da unidade entraram em greve após denúncias de salários atrasados por mais de 90 dias. Naquele episódio, uma vistoria do Ministério Público do Amazonas apontou problemas que incluíam atrasos e falta de condições adequadas de trabalho, segundo reportagem publicada à época.
Meses depois, médicos voltaram a paralisar atividades. Deputados estaduais cobraram providências diante de relatos de mais de três meses de salários atrasados e falta de materiais básicos no hospital.
Há registros ainda mais antigos. Em 2019, o Ministério Público Federal instaurou inquérito civil especificamente para apurar atrasos da então Susam nos repasses para manutenção do Hospital Regional de Lábrea e possível insuficiência dos recursos.
O histórico mostra que o financiamento da unidade atravessa diferentes administrações e modelos de gestão. Por isso, a manifestação atual exige uma resposta específica sobre o que está ocorrendo em 2026, sem atribuir automaticamente ao atual governo problemas de períodos anteriores.
Governo precisa esclarecer situação dos repasses
Até o momento da publicação da reportagem consultada, não constava nela uma manifestação do Governo do Amazonas ou da Secretaria de Estado de Saúde esclarecendo especificamente a denúncia de quatro meses de atraso feita nesta quinta-feira.
O contraditório é fundamental. Cabe ao governo Roberto Cidade informar publicamente se reconhece a pendência apontada pelos trabalhadores, quais repasses do FTI destinados a Lábrea foram realizados em 2026, quanto já foi transferido, quanto eventualmente permanece pendente e qual o prazo para regularização.
Enquanto essas respostas não forem apresentadas, permanecem as denúncias feitas pelos profissionais e registradas nos vídeos da manifestação.
VEJA OS DOIS VÍDEOS DO PROTESTO EM LÁBREA
🎥 VÍDEO 1 — Profissionais denunciam atraso nos recursos destinados à saúde e relatam a situação enfrentada pelo Hospital Regional de Lábrea.
🎥 VÍDEO 2 — Em nova manifestação, profissionais fazem cobranças públicas ao Governo do Amazonas e pedem uma solução para a situação da saúde em Lábrea.











