Por Redação MVE
A Polícia Federal voltou à sede da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM), em Manaus, na manhã desta quinta-feira (24). A movimentação ocorre no contexto da investigação eleitoral que apura suspeitas de uso da estrutura do Governo do Amazonas em benefício da campanha à reeleição do governador Roberto Cidade. O objetivo específico da diligência desta quinta ainda não havia sido detalhado oficialmente nas informações disponíveis no início da manhã.
O novo episódio ocorre após a PF realizar buscas na AADESAM em 3 de setembro. No relatório daquela ação, investigadores registraram que a agência teve conhecimento da decisão judicial antes da chegada dos policiais, segundo representantes do próprio órgão, por meio de uma notificação automática do sistema da Justiça Eleitoral.
Computador “corrompido” foi apreendido

Um dos pontos que mais chamaram atenção no relatório foi um computador utilizado pelo setor de Recursos Humanos. Segundo a PF, o equipamento havia sido encaminhado para manutenção justamente na manhã da operação e depois foi apresentado como “corrompido”. A máquina foi apreendida e encaminhada para perícia, que deverá esclarecer se houve formatação, apagamento, substituição de mídia ou outro dano.
A investigação ganhou outro desdobramento nesta semana. Segundo informações atribuídas ao Ministério Público Eleitoral, trabalhadores recém-contratados da AADESAM teriam recebido mensagens de pessoas que se identificavam como integrantes da campanha de Roberto Cidade. Entre as informações solicitadas nas conversas estavam PIX, título de eleitor e região de atuação. Esses elementos estão sendo apurados e não constituem, por si, prova de participação pessoal do governador em eventual irregularidade.
MPE pediu afastamento de presidente da agência
O Ministério Público Eleitoral também pediu ao TRE-AM o afastamento cautelar do presidente da AADESAM, William Alexandre Silva de Abreu. O MPE apontou possível descumprimento de determinações judiciais envolvendo reintegrações, contratações e desligamentos de trabalhadores. Até a publicação das informações consultadas, o Tribunal ainda não havia decidido sobre o pedido.

O conjunto dos fatos coloca a administração estadual sob novo escrutínio em plena campanha eleitoral. A investigação busca esclarecer se houve efetivamente utilização da estrutura pública para finalidade eleitoral e, caso sejam comprovadas irregularidades, determinar quem participou ou tinha conhecimento delas.
Governo diz que colabora com a Justiça
O Governo do Amazonas afirma que a AADESAM vem prestando os esclarecimentos solicitados e atendendo às determinações da Justiça. Também declarou que não compactua com irregularidades. Roberto Cidade e outros citados têm direito ao contraditório, e não há condenação decorrente desses fatos nas fontes consultadas.
A nova presença da Polícia Federal nesta quinta-feira acrescenta mais um capítulo a uma investigação que ainda está em andamento — e cujo alcance dependerá do resultado das perícias, das diligências e das decisões da Justiça Eleitoral.
VEJA OS VÍDEOS
▶️ Assista abaixo às imagens da movimentação da Polícia Federal na AADESAM nesta quinta-feira (24).











