Brasília – A tradicional Marcha dos Prefeitos, considerada o maior encontro municipalista da América Latina, ganhou neste ano um forte clima eleitoral e se transformou em verdadeiro palco antecipado da disputa presidencial de 2026. Sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o evento abriu espaço para pré-candidatos ao Palácio do Planalto intensificarem articulações políticas junto a milhares de prefeitos de todo o país.
A 27ª edição da Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios começou nesta segunda-feira (18) e segue até quinta-feira (21), reunindo mais de 15 mil participantes entre prefeitos, vereadores, secretários municipais e gestores públicos. O evento é organizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Neste ano, porém, o foco político chamou atenção nos bastidores. Enquanto Lula ficou fora da programação principal, nomes já posicionados para a corrida presidencial aproveitaram o espaço para se apresentar ao eleitorado municipalista e fortalecer alianças estratégicas visando 2026.
Entre os presidenciáveis confirmados estão o senador Flávio Bolsonaro (PL), o governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), além de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
A ausência de Lula acabou se tornando um dos principais assuntos do evento. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o presidente cumpria agendas em São Paulo e não havia previsão de participação na Marcha. A própria CNM informou que não recebeu confirmação oficial do petista.
O vice-presidente Geraldo Alckmin representou o governo federal na abertura do encontro, mas enfrentou resistência de parte do público presente, chegando a ser vaiado em alguns momentos do discurso.
A movimentação política deixou claro o peso estratégico que os prefeitos possuem nas eleições nacionais. Com influência direta nas bases eleitorais dos municípios, os gestores são vistos como peças fundamentais para qualquer candidatura presidencial competitiva.
O primeiro presidenciável a discursar foi Flávio Bolsonaro. O senador recebeu aplausos de apoiadores, apresentou propostas ligadas à segurança pública e criticou a ausência de outros nomes da disputa presidencial no encontro municipalista.
Durante sua fala, porém, o senador também enfrentou protestos e gritos relacionados ao caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e acusações antigas de “rachadinha”, mostrando que o ambiente político da Marcha também ficou marcado pela polarização nacional.
Nesta quarta-feira (20), a programação prevê discursos de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, dois nomes que tentam ocupar espaço no campo da centro-direita para a disputa presidencial de 2026.
Além das articulações políticas, a Marcha dos Prefeitos também debate temas considerados prioritários para os municípios, como aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), reforma tributária, royalties do petróleo, segurança pública, saneamento básico e emergência climática.
Mesmo assim, o clima eleitoral dominou os corredores de Brasília. Prefeitos passaram a ser disputados por grupos políticos interessados em ampliar palanques regionais para as eleições presidenciais.
Analistas avaliam que a ausência de Lula em um dos maiores encontros políticos do calendário nacional acabou oferecendo à oposição uma oportunidade valiosa para ocupar espaço e dialogar diretamente com lideranças municipais de todo o Brasil.











