Por: Redação MVE
O Ministério da Saúde iniciou uma ampla investigação para apurar possíveis relações entre a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan e casos graves registrados após a imunização. A decisão ocorre após a suspensão temporária da campanha de vacinação em todo o país, medida adotada de forma preventiva enquanto as análises são realizadas.
Segundo o governo federal, foram registradas 42 reações adversas severas entre aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas. Desses casos, três foram considerados graves, incluindo duas mortes que agora estão sendo investigadas pelas autoridades sanitárias. Até o momento, não há comprovação científica de que os óbitos tenham sido causados pela vacina.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a apuração será conduzida em conjunto pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Butantan. O objetivo é analisar detalhadamente cada ocorrência para identificar se existe relação direta entre os eventos registrados e a aplicação do imunizante.
Entre os pontos que serão avaliados estão as condições de saúde dos pacientes, possíveis doenças pré-existentes, características dos lotes utilizados, armazenamento das doses, transporte, conservação da vacina e procedimentos adotados durante a aplicação.
Além disso, a partir desta semana, o Ministério da Saúde iniciou um monitoramento reforçado da rede hospitalar para identificar possíveis casos de dengue grave, reações adversas e eventuais padrões relacionados a regiões específicas, unidades de saúde ou lotes da vacina. A atenção será voltada principalmente para pessoas imunizadas nos últimos 21 dias.
Os três casos graves investigados envolveram pacientes que desenvolveram sintomas compatíveis com dengue severa após a vacinação. Uma mulher de 39 anos precisou ser internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas se recuperou. Já uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos morreram após apresentarem complicações graves da doença. Os dois óbitos permanecem sob investigação.
Apesar da suspensão temporária, a Anvisa ressaltou que a vacina passou por todas as etapas regulatórias exigidas para aprovação e que os estudos clínicos realizados anteriormente demonstraram segurança e eficácia do imunizante.
O Instituto Butantan também informou que continuará colaborando integralmente com as investigações. A instituição destacou que os estudos realizados apontaram eficácia próxima de 80% contra a dengue e cerca de 89% contra formas graves da doença, além de não terem identificado eventos adversos relevantes durante campanhas de vacinação em massa realizadas em municípios brasileiros.
Especialistas ouvidos por veículos de comunicação avaliam que a suspensão tem caráter preventivo e segue protocolos internacionais de farmacovigilância. A expectativa é que, após a conclusão das análises, as autoridades possam determinar se os casos possuem relação causal com a vacina ou se ocorreram por outros fatores independentes.
Enquanto a investigação prossegue, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas procurem atendimento médico imediatamente caso apresentem sintomas como febre alta, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva ou sinais de agravamento do estado de saúde.
As autoridades reforçam que a suspensão não significa que a vacina seja considerada insegura, mas sim uma medida de precaução adotada para garantir a máxima segurança da população e esclarecer completamente os eventos registrados.











