Por Redação MVE
A tentativa de Roberto Cidade (União Brasil) de jogar sobre a Prefeitura de Manaus a responsabilidade pela longa espera por consultas, exames e cirurgias no Sistema de Regulação (Sisreg) recebeu uma resposta dura do prefeito Renato Junior (Avante).
Renato acusou Cidade de esconder a responsabilidade do Governo do Amazonas sobre a regulação e a oferta dos procedimentos de média e alta complexidade. O prefeito também relacionou o atual governador à continuidade da gestão de Wilson Lima.
“Cidade, deixa eu te lembrar uma coisa que você sabe, mas não tem coragem de assumir: quem organiza a fila do Sisreg é o Governo do Estado, é você”, afirmou Renato.
Cidade tenta transferir responsabilidade
O embate começou depois de Roberto Cidade afirmar que mais de 60% das pessoas cadastradas no Sisreg, aguardando consultas, exames ou cirurgias, seriam provenientes de encaminhamentos feitos pela Prefeitura de Manaus.
Cidade tentou usar o número para responsabilizar a atenção básica municipal pela demanda reprimida. Renato, no entanto, respondeu que a Prefeitura encaminha para a rede estadual justamente os casos que não podem ser resolvidos nas unidades básicas.
“A Prefeitura apenas encaminha os casos mais graves, que não são de responsabilidade da saúde básica, para a rede estadual. É ela, a rede estadual, responsável por consultas, exames e cirurgias de média e alta complexidade”, declarou.
A própria Secretaria de Estado de Saúde informa que os serviços eletivos de hospitais e policlínicas estaduais são realizados por meio de agendamento regulado pelo Sisreg. Isso confirma que o Estado possui papel direto e indispensável na oferta das vagas especializadas, ainda que o funcionamento do SUS envolva responsabilidades compartilhadas entre Estado e municípios.
Renato aponta investimentos municipais
Para rebater o discurso de Cidade, Renato citou a construção de 13 grandes unidades básicas de saúde e a reforma de mais de 100 unidades municipais. Segundo o prefeito, esses investimentos demonstram que Manaus ampliou a estrutura da atenção básica enquanto a rede estadual não acompanhou o crescimento da procura por atendimentos especializados.
O questionamento colocado diante de Roberto Cidade é direto: se o Estado administra hospitais, policlínicas e boa parte dos procedimentos de média e alta complexidade, por que tenta responsabilizar exclusivamente a Prefeitura pela fila formada à espera desses serviços?
Renato também citou problemas enfrentados por unidades estaduais como os hospitais João Lúcio, Platão Araújo e 28 de Agosto. Segundo ele, o Governo do Amazonas não ampliou sua estrutura hospitalar na mesma proporção do aumento da demanda.
“Enquanto isso, o governo do seu padrinho Wilson Lima está fazendo oito anos e não construiu nenhum hospital e nenhum pronto-socorro, nem na capital nem no interior”, acusou o prefeito.
Renato ainda fez uma crítica pesada aos atrasos de pagamentos na área da saúde e chamou Cidade e Wilson Lima de “os maiores caloteiros que o Amazonas já viu”.
“Terceiro mandato de Wilson Lima”
O prefeito também atacou a tentativa de Roberto Cidade de se apresentar como renovação política. Para Renato, votar em Cidade significa manter no poder o mesmo grupo que comandou a saúde estadual durante os últimos anos.
“Votar em você é o mesmo que dar o terceiro mandato para Wilson Lima”, disparou.
A declaração atinge um dos pontos mais sensíveis da campanha de Cidade: sua ligação política com Wilson Lima e a responsabilidade do grupo pela situação atual da rede estadual.
Em vez de apenas procurar culpados fora do Governo, Roberto Cidade precisa explicar quais providências concretas tomou para reduzir a fila, ampliar a quantidade de consultas e exames e acelerar as cirurgias aguardadas por milhares de amazonenses.
O debate não pode servir como cortina de fumaça eleitoral. Enquanto Prefeitura e Estado trocam acusações, pacientes continuam esperando por atendimento. A responsabilidade precisa ser apurada com dados transparentes sobre encaminhamentos, vagas disponíveis, tempo de espera e capacidade de cada unidade.
As declarações de Renato colocam Roberto Cidade no centro da cobrança. A resposta agora precisa vir com números, resultados e atendimento na ponta — porque quem espera meses ou anos por uma consulta não pode ser obrigado a pagar pela guerra política nem pela incapacidade do poder público.
Até a publicação das reportagens consultadas, Roberto Cidade e a Secretaria de Estado de Saúde não haviam apresentado resposta às acusações mais recentes de Renato Junior. O espaço permanece aberto para manifestação.











