Por: Redação MVE
O professor Vinícius Siqueira Figueiredo, de 23 anos, falou pela primeira vez sobre o ataque sofrido durante uma aula particular de reforço escolar, em Manaus. Ainda abalado e sentindo fortes dores, o jovem afirmou que não teve qualquer desentendimento que pudesse explicar a agressão.
“Não teve nada que justificasse. Eu não fiz nada para ele”, declarou Vinícius ao comentar o ataque praticado por um aluno de 15 anos.
O caso aconteceu na noite de quarta-feira (26), em um estabelecimento de reforço escolar localizado no bairro Nossa Senhora das Graças, zona centro-sul da capital amazonense.
Ataque aconteceu pelas costas
Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que Vinícius estava junto ao quadro, de costas para o estudante, quando foi surpreendido. Segundo a família e a defesa do professor, o adolescente desferiu nove golpes de faca.
Mesmo gravemente ferido, Vinícius conseguiu reagir, deixar a sala e pedir ajuda. Ele recebeu os primeiros atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi levado ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Posteriormente, foi transferido para outra unidade hospitalar, onde permaneceu em avaliação médica.
A família informou que o professor está fora de perigo imediato, mas enfrenta dores, medo e sinais de estresse pós-traumático.
Possível motivação é investigada
Conforme a advogada Caroline Frota, representante da família, o adolescente teria se frustrado depois de receber nota baixa em uma avaliação. Essa possível motivação ainda deverá ser confirmada durante a investigação.
A defesa também afirma que não existia histórico de desentendimento entre Vinícius e o aluno. O estudante recebia aulas individuais e não teria demonstrado anteriormente qualquer intenção de atacar o professor.
O relato de Vinícius reforça essa versão. Para ele, não houve discussão, agressão ou qualquer atitude que pudesse ter provocado a violência.
O caso está sendo apurado pela Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (DEAAI). Por envolver um adolescente, a ocorrência segue os procedimentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e é investigada como ato infracional análogo à tentativa de homicídio.
A identidade do menor não pode ser divulgada.
VEJA O RELATO:
Pai cobra responsabilização
O pai do professor, Theurym Figueiredo, também se manifestou publicamente e contou que ainda não teve coragem de assistir às imagens do ataque.
“Não há nada que possa justificar tamanha violência. Estou com o coração destroçado. É o meu único filho”, desabafou.
Vinícius cursa Engenharia Civil na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e trabalha há aproximadamente dois anos dando aulas particulares para complementar sua renda e custear suas despesas.
O pai afirmou que a família não busca vingança, mas espera que o caso seja investigado com rigor e que o responsável seja submetido às medidas previstas na legislação.
“Não estou aqui para vingança, estou procurando os caminhos legais”, declarou.
Violência deixa marcas além dos ferimentos
Além das lesões físicas, o ataque provocou forte abalo emocional no professor e em seus familiares. Conforme a defesa, Vinícius apresenta medo, insegurança e dificuldades para assimilar o que aconteceu.
A agressão também reacende o alerta sobre a segurança dos profissionais da educação, inclusive daqueles que trabalham em aulas particulares e espaços privados de reforço.
O professor saiu de casa para trabalhar e quase perdeu a vida dentro de uma sala de aula. Agora, enquanto tenta se recuperar, espera que as autoridades esclareçam todas as circunstâncias do ataque e adotem as providências previstas em lei.
O espaço permanece aberto para manifestação dos responsáveis pelo adolescente e de sua defesa.











