Pré-candidato pelo PSTU, Hertz tem deixado claro que sua campanha não segue o modelo tradicional. Em entrevistas e participações públicas, ele afirma que utiliza a eleição como uma “tribuna política”, não com foco em vitória eleitoral, mas como ferramenta de crítica ao sistema vigente.
Em sua análise, o Brasil não vive uma democracia plena, mas sim uma “ditadura da burguesia e do capital”, onde o processo eleitoral seria apenas uma forma de legitimar estruturas de poder já estabelecidas. Para ele, o voto popular não altera a essência do sistema, que, segundo sua visão, continuaria concentrando poder nas mãos de elites econômicas.
O discurso vai além da crítica institucional e propõe uma ruptura estrutural. Hertz defende mudanças profundas, como o fim da propriedade privada e a superação do capitalismo como forma de reorganizar a sociedade.
Com trajetória ligada ao movimento negro, à educação pública e ao rap político, o pré-candidato constrói sua narrativa a partir de temas como desigualdade social, racismo estrutural e exploração econômica. Sua atuação mistura cultura, militância e política, transformando a campanha em extensão de sua visão ideológica.
Apesar da visibilidade do discurso, o histórico eleitoral do PSTU e do próprio candidato mostra baixa expressão nas urnas, com votações residuais em disputas anteriores. Ainda assim, o objetivo declarado não é conquistar maioria, mas provocar debate e tensionar o cenário político.
A presença de candidaturas com esse perfil reforça uma tendência crescente no Brasil: o uso das eleições não apenas como disputa de poder, mas como palco de narrativas ideológicas mais amplas, muitas vezes voltadas à contestação do próprio sistema.
No fim, mais do que números nas urnas, o impacto desse tipo de candidatura está na capacidade de influenciar o debate público — ampliando os extremos e colocando em evidência diferentes visões sobre democracia, economia e poder no país.











