Por: Redação MVE
A Polícia Federal identificou uma intensa movimentação de advogados na cela do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo informações divulgadas pela Gazeta do Povo, cerca de 15 advogados tiveram acesso ao empresário durante o período em que eram conduzidas negociações para um possível acordo de delação premiada.
De acordo com a reportagem, parte desses profissionais teria ligação com políticos do chamado Centrão e com integrantes de grupos políticos investigados ou mencionados nas apurações relacionadas ao caso. Embora as visitas fossem consideradas legais e respaldadas por procurações formalmente constituídas, investigadores demonstraram preocupação com a dificuldade de identificar quais interesses estavam sendo tratados durante os encontros.
A avaliação interna da PF era de que a cela de Vorcaro teria se transformado em um ambiente de articulações paralelas envolvendo questões patrimoniais, políticas e jurídicas, além das tratativas sobre a delação. Segundo fontes ligadas às investigações, diversos advogados que frequentavam o local não atuariam diretamente na negociação do acordo de colaboração.
Outro ponto que chamou atenção foi a decisão da Polícia Federal de impor sigilo de 100 anos sobre a lista de visitantes do empresário. A medida foi adotada sob o argumento de proteção de dados pessoais e informações consideradas sensíveis, incluindo nomes, documentos, horários e demais registros relacionados às visitas.
O caso ocorre em meio às tentativas de construção de uma delação premiada que pode atingir políticos, empresários e autoridades dos mais diversos setores. A primeira proposta apresentada pela defesa de Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal por ter sido considerada superficial e sem a apresentação de provas ou fatos novos relevantes para as investigações.
Após a rejeição inicial, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, determinou restrições mais rígidas às visitas. Atualmente, apenas um grupo reduzido de advogados está autorizado a manter acesso regular ao empresário.
As negociações continuam em andamento. Segundo a PF, um eventual acordo dependerá da apresentação de provas que confirmem a participação de agentes políticos, econômicos e financeiros apontados nas investigações, além da devolução de valores que podem ultrapassar dezenas de bilhões de reais.
O caso Banco Master tornou-se uma das maiores investigações em curso no país, envolvendo suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e outras irregularidades financeiras. As apurações já se desdobraram em diversas fases da Operação Compliance Zero e continuam produzindo novos desdobramentos políticos e judiciais.











