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OPINIÃO: “A Inversão Moral e a Fragilidade da Segurança”, a fala de LULA foi um Tiro no Pé do Planalto

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POR EDSON SAMPAIO

A recente declaração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao classificar traficantes como “vítimas dos usuários”, não é apenas um “tropeço grave” de retórica; é um profundo e perigoso erro de cálculo político e moral que expõe a fragilidade do governo em um dos temas mais sensíveis e urgentes para o Brasil: a segurança pública.

Em um país refém do crime organizado, onde o tráfico de drogas desestrutura famílias, domina territórios e mata milhares anualmente, a fala presidencial soa como um acinte, uma inversão cínica do papel de algozes e vítimas. Lula, conhecido por sua habilidade de se conectar com as massas, parece ter perdido o pulso da realidade das ruas. A tentativa de humanizar o criminoso, que em tese poderia buscar uma discussão sobre a complexidade social, na prática, banaliza a violência e choca o senso comum.

A Estratégia do Ostracismo

Politicamente, o timing da declaração é desastroso. O governo já enfrenta uma crescente pressão pela escalada da criminalidade e pela percepção de leniência em relação aos grupos criminosos. Ao “passar pano” para traficantes, o Presidente não apenas forneceu uma munição de ouro para a Oposição — que prontamente explorou o tema com a força do sentimento de revolta popular — como também desautorizou suas próprias forças de segurança e minou a confiança de seus aliados mais pragmáticos, que agora se veem em uma posição defensiva e constrangedora.

O discurso de Lula revela uma dissonância ética e política perigosa. Em vez de focar na repressão firme ao crime organizado e no fortalecimento das políticas de segurança, a declaração desloca o foco para uma tese de vitimização social que, embora possa ser tema de debate acadêmico, é inaceitável no púlpito presidencial. O líder máximo da nação não pode confundir compaixão social com a anistia moral a quem exerce a violência.

O Peso da Palavra Presidencial

A repercussão nas redes, com a hashtag #VítimasSomosNós em destaque, demonstra que a reação não é apenas política, mas visceral. Famílias de vítimas da violência têm a absoluta razão em se sentir desrespeitadas. O papel de um presidente é o de proteger os cidadãos de bem, garantir a lei e a ordem, e expressar solidariedade inequívoca com aqueles que sofrem a perda.

Essa crise de comunicação é, na verdade, uma crise de percepção política. Ela lança uma sombra de dúvida sobre a firmeza do governo em enfrentar a criminalidade. Se o Planalto não for capaz de distinguir com clareza entre o criminoso e o cidadão, como poderá elaborar políticas de segurança eficazes?

O episódio deve servir de alerta. Em um cenário de polarização intensa, frases improvisadas e irresponsáveis não são meros deslizes, mas golpes na credibilidade que corroem a base de apoio e dão força ao discurso de oposição. O país exige firmeza, responsabilidade e respeito à dor das vítimas, não retóricas que ofendem o bom senso e fragilizam a luta contra o crime. A retratação tardia não apaga o dano; ela apenas confirma o erro catastrófico. O governo precisa urgentemente reajustar seu discurso de segurança antes que o preço político se torne impagável.