Omar Aziz assume protagonismo na luta pelo fim da escala 6×1: “É devolver tempo ao trabalhador”

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Em entrevista ao UOL nesta segunda-feira (24), relator da PEC no Senado defendeu redução gradual da jornada para 40 horas, sem redução salarial, e destacou os impactos sobre saúde e família

Por: Manuel Menezes

Brasília (DF) – O senador Omar Aziz (PSD-AM) ganhou protagonismo no debate nacional pelo fim da escala 6×1. Relator da proposta no Senado, o parlamentar defende uma redução gradual da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, e afirma que a mudança representa uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.

Durante entrevista ao UOL na tarde desta segunda-feira (24), Omar explicou sua posição sobre a proposta e destacou que o debate não pode considerar apenas o período em que o trabalhador permanece dentro da empresa.

“A jornada do trabalhador não começa quando ele bate o ponto.”

Segundo o senador, é preciso levar em conta também o tempo gasto diariamente no transporte, a distância entre casa e trabalho, os estudos e as responsabilidades familiares.

Para Omar, reduzir a jornada significa devolver ao trabalhador parte desse tempo.

“Reduzir a jornada é devolver ao trabalhador o tempo para descansar, cuidar da saúde e conviver com quem ama. Isso é qualidade de vida.”

Mudança seria gradual

Omar defende que a transição aconteça de maneira gradual. A proposta prevê inicialmente a redução da jornada de 44 para 42 horas semanais e, depois de seis meses, para 40 horas, sem redução dos salários.

O relator reconhece que a mudança exige diálogo com os setores produtivos, principalmente comércio e serviços, que possuem funcionamento durante toda a semana.

Ele também explicou que dois dias de descanso não significam necessariamente folgas aos sábados e domingos.

“Você ter dois dias de folga semanal não quer dizer que tenha que ser sábado ou domingo. Pode ser segunda e terça, quarta e quinta, sexta e sábado.”

A ideia, segundo Omar, é permitir que cada setor encontre a melhor organização para as escalas durante o período de transição.

“O Brasil não quebrou”

Na entrevista ao UOL, o senador também rebateu o argumento de que a redução da jornada poderia provocar prejuízos à economia.

Omar lembrou que o Brasil já passou por uma mudança semelhante quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais.

“Quando se reduziu de 48 para 44, disseram que o Brasil ia quebrar. O Brasil não quebrou.”

Para ele, a discussão precisa considerar também os ganhos de produtividade e as condições de saúde dos trabalhadores.

“Produtividade não é somente quantidade de horas. É também trabalhar bem, com saúde e produzir resultados.”

Atenção às mães solo

Outro ponto destacado por Omar durante a entrevista foi a situação das mães solo, que enfrentam uma dupla jornada entre emprego e responsabilidades familiares.

O senador lembrou que muitas mulheres precisam trabalhar, cuidar dos filhos e administrar a rotina doméstica, ficando com pouco tempo para a convivência familiar.

“Você imagina uma mãe solteira, uma mãe solo, que ela tem que trabalhar e cuidar da família, dos filhos.”

Na avaliação de Omar, a falta de tempo para a família também pode provocar consequências na saúde e na vida social.

“Hoje a desestruturação disso afeta muito a saúde mental das pessoas, a ausência dessas pessoas que não convivem com o familiar.”

Omar no centro de uma discussão nacional

Como relator da PEC, Omar Aziz ocupa uma posição estratégica na discussão sobre o futuro da jornada de trabalho no país. A proposta poderá atingir milhões de trabalhadores e envolve questões como descanso, produtividade, saúde, renda e convivência familiar.

A atuação do senador amazonense busca construir uma transição que permita a adaptação das empresas sem retirar direitos dos trabalhadores.

Ao defender a redução gradual para 40 horas semanais, Omar coloca a qualidade de vida no centro da discussão e sustenta que o desenvolvimento econômico também precisa ser acompanhado de melhores condições para quem trabalha.

A mensagem deixada pelo senador na entrevista desta segunda-feira é direta: o trabalhador precisa de tempo não apenas para trabalhar, mas também para descansar, estudar, cuidar da família e viver.

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