Por Manuel Menezes
Os dados do Banco Central divulgados nesta semana sobre o setor externo do Brasil em julho não são apenas números frios em uma planilha de economista; são o raio-X sem anestesia de um país que volta a flertar com o desequilíbrio. O Brasil registrou um déficit nas transações correntes de US$ 8,11 bilhões em um único mês — o equivalente a um rombo de aproximadamente R$ 44,6 bilhões.Trata-se de um salto de 17,4% em relação ao mesmo período do ano passado, um absurdo que expõe as fragilidades e a falta de responsabilidade da condução econômica do Governo Lula.
Quando olhamos para o acumulado dos últimos 12 meses, a sangria impressiona ainda mais: o saldo negativo atinge US$ 62,9 bilhões, ou seja, cerca de R$ 346 bilhões drenados das nossas contas externas. Enquanto a propaganda oficial tenta mascarar a realidade com discursos ufanistas, os fatos econômicos escancaram a deterioração do país.
Na comparação anual, as importações voltaram a crescer a um ritmo mais acelerado do que as exportações, corroendo a margem da balança comercial. Na conta de serviços, o déficit escalou para US$ 5,3 bilhões (mais de R$ 29 bilhões), impulsionado por maiores despesas no exterior. Para completar o cenário preocupante, a remessa de renda primária — que inclui o pagamento de juros e o envio de lucros de empresas para fora — consumiu mais US$ 9,4 bilhões (cerca de R$ 51,7 bilhões) em julho.
Paralelamente a essa evasão de divisas, o Investimento Direto no País (IDP) encolheu para US$ 7,5 bilhões no mês, ficando abaixo do registrado em julho do ano anterior. O capital produtivo e os investidores internacionais — responsáveis por criar empregos reais, erguer fábricas e financiar a infraestrutura que o Brasil tanto precisa — dão claros sinais de cautela diante da irresponsabilidade fiscal da atual gestão.
Quando o Executivo gasta desenfreadamente e trata o equilíbrio das contas públicas como mero obstáculo político, a confiança do mercado evapora. A consequência direta dessa gastança é a pressão contínua sobre a moeda, a desvalorização do real, a manutenção das taxas de juros no topo para segurar a inflação e o encarecimento do custo de vida.
Não há mágica em economia. Um país que acumula centenas de bilhões de reais em déficit externo não está crescendo com sustentabilidade; está queimando gordura e vivendo de aparências. O Brasil não pode continuar refém de escolhas populistas que minam a credibilidade conquistada a duras penas apenas para sustentar uma máquina estatal inchada e ineficiente.
Até quando assistiremos passivos a essa deterioração? Administrar uma nação exige disciplina fiscal, austeridade e respeito a quem produz. O rombo de R$ 44,6 bilhões em apenas 30 dias é o retrato de um governo que gasta sem limites e transfere a conta final para a mesa do trabalhador e para o bolso do pagador de impostos. É hora de exigir responsabilidade antes que o prejuízo seja irreversível.











