Por: Redação MVE
MANAUS (AM) — Apesar de liderar as intenções de voto para presidente da República no Amazonas, Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um índice expressivo de insatisfação com seu governo. Pesquisa do instituto Direto ao Ponto mostra que 38% dos eleitores amazonenses avaliam negativamente a atual administração federal.
Desse total, 31% classificam o governo Lula como péssimo e outros 7% consideram a gestão ruim. Na prática, quase quatro em cada dez entrevistados demonstram insatisfação com o desempenho do presidente.
A avaliação positiva chega a 42%, sendo 21% de ótimo e 21% de bom. Outros 20% consideram a administração regular. Embora o índice positivo seja quatro pontos superior ao negativo, os números revelam um estado politicamente dividido e mostram que Lula ainda enfrenta resistência significativa no Amazonas.
Liderança não elimina desgaste
No cenário estimulado para a Presidência, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 46% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro registra 34% e ocupa, de forma isolada, a segunda posição.
A diferença entre os dois é de 12 pontos percentuais. Entretanto, o percentual de avaliação negativa do governo demonstra que a liderança de Lula não significa aprovação consolidada de sua administração.
O resultado acende um sinal de alerta para o presidente, especialmente porque Flávio Bolsonaro já concentra praticamente todo o eleitorado de oposição. O senador possui quase três vezes a soma alcançada pelos demais candidatos, desconsiderando Lula.
Pablo Marçal aparece com 4%, enquanto Renan Santos e Samara registram 2% cada. Clariana Barão, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury aparecem com 1% cada. Outros 5% não souberam responder e 3% declararam voto branco ou nulo.
Flávio pode explorar insatisfação
A avaliação negativa do governo não pode ser convertida automaticamente em intenção de voto para a oposição, pois os levantamentos medem questões diferentes. Ainda assim, o percentual de 38% indica a existência de uma parcela expressiva do eleitorado insatisfeita com o Palácio do Planalto.
Como principal adversário de Lula no Amazonas, Flávio Bolsonaro poderá buscar ampliar sua presença justamente entre os eleitores que desaprovam a administração petista, principalmente durante a propaganda eleitoral e os debates entre os candidatos.
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista com os nomes dos concorrentes, Lula registra 36% e Flávio Bolsonaro aparece com 26%. Outros 34% não souberam ou preferiram não responder.
O elevado número de indecisos no cenário espontâneo mostra que uma parcela considerável dos amazonenses ainda não possui uma escolha consolidada. Esse grupo poderá desempenhar papel decisivo no decorrer da campanha, embora não seja possível antecipar para qual candidato esses votos irão.
Amazonas apresenta cenário dividido
Os números mostram que Lula inicia a disputa na liderança, mas não encontra um ambiente político totalmente favorável no Amazonas. A diferença de apenas quatro pontos entre as avaliações positiva e negativa evidencia uma divisão significativa sobre o desempenho do governo federal.
Para a oposição, o índice de 38% representa uma oportunidade política. Para Lula, é um alerta de que a liderança eleitoral precisará ser acompanhada de respostas às críticas sobre sua administração.
A pesquisa ouviu 1.200 eleitores com 16 anos ou mais, em Manaus e outros 18 municípios do interior do Amazonas, entre os dias 19 e 24 de agosto de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02643/2026.











