Por: [Manuel Menezes]
O Brasil parece viver um tempo perigoso: o tempo em que escândalos deixam de gerar indignação e passam a ser tratados como detalhe político. O mais recente exemplo disso veio do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao afirmar em rede nacional, durante entrevista à TV Brasil, que a Operação Lava Jato teria sido “a grande mentira do século XXI”.
A declaração não apenas reacendeu a polarização política, mas também abriu uma ferida na memória de milhões de brasileiros que acompanharam durante anos delações, prisões, devoluções bilionárias de recursos desviados e confissões de ex-diretores da Petrobras, empreiteiros e operadores ligados ao esquema do petrolão.
A Lava Jato pode ter cometido excessos jurídicos em alguns momentos — e isso foi reconhecido pelo próprio Supremo Tribunal Federal em decisões posteriores —, mas negar completamente a existência do esquema de corrupção é algo muito diferente. Afinal, bilhões de reais foram recuperados ao longo das investigações, parte deles devolvidos à Petrobras através de acordos de delação e leniência.
Diretores da estatal confessaram participação no esquema. Empresários admitiram pagamentos ilegais. Executivos devolveram fortunas aos cofres públicos. Ainda assim, Lula escolheu tratar tudo como “mentira”, afirmando que Sergio Moro e Deltan Dallagnol “não provaram nada”.
Para muitos brasileiros, a fala soa como deboche contra quem trabalhou, pagou impostos e assistiu o país mergulhar em recessão enquanto bilhões circulavam em contratos suspeitos envolvendo Petrobras, empreiteiras e partidos políticos.
O problema não é apenas o passado. O que assusta parte da população é a sensação de que os grandes escândalos voltam a rondar o governo petista mais uma vez. Nos últimos meses, denúncias, investigações e suspeitas envolvendo figuras próximas ao governo passaram novamente a ocupar espaço no noticiário político nacional.
Críticos do governo apontam que o PT parece conviver historicamente com uma sucessão de crises ligadas à corrupção: mensalão, petrolão, escândalos em fundos de pensão, suspeitas em estatais e agora novos episódios envolvendo aliados políticos e pessoas próximas ao núcleo do poder.
Até nomes ligados à família presidencial passaram a aparecer em reportagens e discussões políticas recentes, ampliando a pressão sobre o governo. Embora investigações não representem culpa automática, cresce entre opositores o discurso de que o ambiente político criado pelo PT historicamente favoreceria práticas de aparelhamento e influência sobre estruturas públicas.
Como chefe do Executivo, Lula inevitavelmente acaba no centro das cobranças políticas. E é exatamente isso que aumenta a indignação de parte da sociedade quando o presidente minimiza ou ridiculariza investigações que marcaram profundamente a história recente do Brasil.
O senador Sergio Moro reagiu afirmando que “a grande mentira do século é Lula”, além de citar mensalão, petrolão e novos escândalos como símbolos do desgaste moral provocado pelos governos petistas.
O mais preocupante talvez seja perceber que o país parece cansado demais para se revoltar. O brasileiro assiste a bilhões desaparecendo, acordos sendo anulados, investigações sendo enterradas e figuras políticas voltando ao poder como se nada tivesse acontecido.
A verdadeira tragédia nacional talvez não seja apenas a corrupção. É a normalização dela.











