Discurso de vítima: Roberto Cidade chama cobrança de “ataque” e tenta fugir do debate sobre seu governo

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Governador diz que adversários se uniram contra ele, mas não apresenta provas da suposta articulação nem responde objetivamente às críticas feitas à sua gestão

Por: Redação MVE

Pressionado pelos adversários na corrida pelo Governo do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil) decidiu adotar o discurso de vítima. Durante entrevista ao G6, o governador afirmou que os concorrentes teriam deixado suas diferenças de lado e se unido para atacá-lo.

“Se juntaram para me atacar”, declarou Cidade, tentando apresentar as críticas como sinal de crescimento político. A estratégia, entretanto, levanta uma pergunta inevitável: cobrar explicações de quem administra o dinheiro público é perseguição ou obrigação democrática?

Cidade não apresentou provas de que exista uma articulação conjunta entre os candidatos. Também não detalhou quais acusações seriam falsas nem respondeu, ponto por ponto, aos questionamentos direcionados ao seu governo.

Em vez de enfrentar o debate sobre saúde, segurança, infraestrutura, geração de emprego e abandono histórico do interior, o governador tenta transformar qualquer cobrança em “ataque”. É uma narrativa conveniente para quem está no poder e deseja escapar da responsabilidade de prestar contas.

Governador sem voto direto da população

Roberto Cidade chegou ao comando do Amazonas por meio de uma eleição indireta realizada na Assembleia Legislativa, após as renúncias de Wilson Lima e do vice-governador. Antes disso, presidiu a Aleam e integrou a base política que sustentou o governo anterior. Documentos da própria Assembleia Legislativa do Amazonas registram que Cidade foi escolhido governador em 4 de maio.

Portanto, antes de dizer que os adversários estão incomodados com o seu suposto crescimento, Cidade precisa lembrar que ainda busca a legitimidade que somente o voto direto dos amazonenses pode conceder.

Os números também não sustentam a tentativa de apresentá-lo como o grande protagonista isolado da eleição. Na pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto, Omar Aziz apareceu na liderança, com 26%, enquanto Cidade registrou 18%. Maria do Carmo tinha 16% e David Almeida, 15%, todos tecnicamente próximos dentro da margem de erro.

Cobrança não é perseguição

Quem ocupa o Governo do Amazonas controla uma estrutura pública gigantesca, administra bilhões de reais e tem obrigação de responder à sociedade. Criticar decisões, comparar resultados e fiscalizar contratos não representa ataque pessoal. Representa democracia.

Ao assumir o papel de vítima, Roberto Cidade tenta inverter as posições: o homem que ocupa o cargo mais poderoso do estado quer aparecer como perseguido por candidatos que cumprem justamente o papel de oposição.

O Amazonas não precisa de lamentações eleitorais. Precisa de respostas, transparência e resultados concretos. Se Cidade acredita que possui uma administração eficiente, deve demonstrá-la com números e ações — não com a velha desculpa de que todos estão contra ele.

As críticas continuarão enquanto os problemas da população permanecerem sem solução. E nenhum discurso de perseguição será suficiente para esconder essa realidade.

O espaço permanece aberto para manifestação do governador Roberto Cidade.