Com 28% de rejeição, David Almeida fala em 21,6 mil entrevistas, mas não divulga números que comprovariam liderança

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Candidato tenta reagir aos levantamentos públicos que o colocam atrás de Omar Aziz, Roberto Cidade e Maria do Carmo; pesquisas internas citadas não tiveram metodologia nem resultados apresentados

Por: Redação MVE

MANAUS (AM) – Pressionado por pesquisas eleitorais que não confirmam o favoritismo propagado por sua campanha, o candidato ao Governo do Amazonas David Almeida (Avante) resolveu contestar os levantamentos públicos e anunciou possuir números próprios que supostamente o colocariam na liderança em Manaus.

Em vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira (26), o ex-prefeito afirmou que sua equipe realizou duas pesquisas internas que, somadas, teriam ouvido 21,6 mil eleitores.

Segundo David, o primeiro levantamento contou com 16,8 mil entrevistas realizadas durante dez dias. Posteriormente, outras 4,8 mil pessoas teriam sido consultadas para confirmar os resultados.

“Em Manaus, nos nossos números, eu lidero”, declarou David Almeida, segundo reportagem do Foco no Fato.

O problema é que o candidato não apresentou os percentuais atribuídos aos adversários, a metodologia utilizada nem qualquer documento que permita verificar sua afirmação.

Números que ninguém viu

David Almeida falou sobre a quantidade de entrevistas, mas não divulgou informações essenciais para avaliar a confiabilidade dos levantamentos.

Não foram apresentados método de seleção dos entrevistados, distribuição da amostra, margem de erro, nível de confiança, critérios de ponderação, questionário aplicado ou resultados completos por candidato.

Também não foi informado quantos entrevistados foram ouvidos em cada bairro, quais faixas de idade e renda participaram ou como a equipe corrigiu possíveis distorções da coleta.

A existência de 21,6 mil entrevistas impressiona pelo volume, mas o tamanho da amostra não é suficiente para garantir a qualidade de uma pesquisa. Sem conhecer a forma como os participantes foram escolhidos e os dados foram processados, não é possível comprovar que o levantamento representa corretamente o eleitorado de Manaus.

Na prática, David pede que seus apoiadores acreditem em uma liderança que não foi demonstrada publicamente.

Pesquisas públicas contradizem discurso

Enquanto David afirma estar na frente, os levantamentos públicos divulgados recentemente mostram um cenário diferente.

Na pesquisa do Instituto Direto ao Ponto, Omar Aziz lidera a corrida estadual com 26%. Roberto Cidade aparece com 23%, Maria do Carmo registra 19% e David ocupa a quarta posição, com 17%.

No recorte específico de Manaus, onde David afirma liderar, o resultado também não confirma sua declaração. Roberto Cidade possui 23%, Maria do Carmo registra 21%, Omar Aziz aparece com 20% e David tem 18%.

Ou seja, no levantamento público, registrado e com metodologia divulgada, o ex-prefeito aparece atrás de três concorrentes na própria cidade que administrou.

A Quaest também apresenta Omar na liderança estadual, com 26%. Cidade possui 18%, Maria do Carmo 16% e David 15%. Considerando a margem de erro, os três últimos aparecem tecnicamente empatados na disputa pela segunda posição, mas David continua sem ocupar a liderança numérica.

Rejeição de 28% amplia dificuldade

Além de aparecer fora da liderança, David Almeida enfrenta outro problema: a maior rejeição registrada pelo Direto ao Ponto entre os candidatos ao Governo do Amazonas.

Segundo a pesquisa, 28% dos entrevistados afirmaram que não votariam no ex-prefeito.

Omar Aziz possui 18% de rejeição, Roberto Cidade aparece com 13%, Cabo Daciolo registra 9% e Maria do Carmo tem 8%.

A rejeição de David é dez pontos superior à de Omar e mais que o dobro da registrada por Roberto Cidade.

Esse resultado representa um obstáculo para o crescimento de sua candidatura. Não basta preservar os eleitores que já demonstram preferência por seu nome; David também precisa reduzir a resistência de uma parcela expressiva da população.

Em uma eleição com possibilidade de segundo turno, a rejeição pode ser tão decisiva quanto a intenção de voto.

Queda nas pesquisas

A série histórica do Direto ao Ponto também mostra uma perda de força de David Almeida.

Em março, ele aparecia com 24%. Em junho, caiu para 21%. No levantamento de agosto, registra 17%.

A redução acumulada foi de sete pontos percentuais.

No interior, o desempenho caiu de 25% em março para 21% em junho e 16% em agosto. Em Manaus, passou de 24% para 21% e depois para 18%.

Portanto, a tendência apresentada pelo levantamento não é de liderança ou crescimento, mas de recuo.

Ao anunciar pesquisas internas favoráveis sem apresentar os dados completos, David tenta criar uma narrativa diferente daquela mostrada pelos institutos que divulgaram metodologia e percentuais.

Estratégia para tranquilizar a militância

A declaração do candidato também pode ser entendida como uma tentativa de tranquilizar apoiadores diante da sequência de pesquisas desfavoráveis.

David deixou a Prefeitura de Manaus para disputar o Governo do Amazonas apostando na popularidade construída durante sua administração. Os números mais recentes, entretanto, indicam dificuldades tanto na capital quanto no interior.

Na pesquisa espontânea do Direto ao Ponto, David é citado por apenas 5% dos entrevistados. Omar Aziz possui 10%, Roberto Cidade 9% e Maria do Carmo 7%.

Mesmo sem receber uma lista de candidatos, o eleitor menciona David menos que seus três principais adversários.

Campanha precisa apresentar os dados

Pesquisas internas são utilizadas por praticamente todas as campanhas. Elas ajudam a identificar fortalezas, fraquezas e regiões que necessitam de maior atenção.

O questionamento surge quando um candidato utiliza esses levantamentos para reivindicar publicamente uma liderança, mas não apresenta os dados necessários para que a sociedade avalie a afirmação.

Se David Almeida possui uma pesquisa de 16,8 mil entrevistas que o coloca na primeira posição, poderá divulgar sua metodologia, os resultados completos e os percentuais de cada concorrente.

Enquanto isso não ocorrer, prevalecem os dados públicos disponíveis: Omar Aziz lidera, Roberto Cidade cresce, Maria do Carmo permanece competitiva e David aparece na quarta colocação, com tendência de queda e a maior rejeição entre os principais candidatos.

A quantidade de entrevistas anunciada pode chamar atenção, mas não substitui transparência. Sem números verificáveis, a suposta liderança de David continua sendo apenas um discurso de campanha.