Por: Redação MVE
SÃO PAULO (SP) – O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusou o Partido dos Trabalhadores de permitir o avanço territorial das maiores facções criminosas do país.
Durante entrevista ao TMC 360, nesta quinta-feira (27), Caiado afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho conquistaram espaços onde o poder público perdeu capacidade de atuação.
“A soberania brasileira o PT entregou para o Comando Vermelho e pro PCC”, declarou o candidato.
Para Caiado, as facções alcançaram um grau de organização e domínio que permite a imposição de regras próprias sobre milhões de brasileiros. A acusação atinge diretamente uma das áreas mais sensíveis do governo Lula: a segurança pública.
“Lá existe o crime”
Durante a entrevista, Caiado relatou uma visita aos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Segundo ele, moradores dessas regiões vivem submetidos às ordens impostas pelo tráfico, sem a presença efetiva das instituições públicas.
“Ali não existe o Estado. Lá existe o crime”, afirmou.
O candidato declarou que, em territórios dominados pelo narcotráfico, as facções definem regras, controlam atividades econômicas e interferem diretamente na rotina da população.
A declaração traz de volta ao centro da disputa eleitoral uma questão que o governo Lula ainda não conseguiu responder de maneira convincente: como recuperar áreas nas quais o poder das organizações criminosas se tornou maior do que a presença do Estado?
Crítica à falta de coordenação federal
Caiado responsabilizou o governo federal pela ausência de uma política nacional capaz de integrar estados, forças policiais e órgãos de inteligência no enfrentamento ao crime organizado.
Para o candidato, não basta transferir a responsabilidade da segurança pública aos governadores enquanto facções atuam simultaneamente em diferentes estados, controlam rotas internacionais e movimentam recursos por meio de estruturas financeiras cada vez mais sofisticadas.
O combate ao PCC e ao Comando Vermelho, segundo ele, exige coordenação permanente da União, compartilhamento de informações e apoio tecnológico às forças estaduais.
Caiado defendeu que o governo federal disponibilize aos estados ferramentas como satélites, bancos de dados integrados e sistemas modernos de monitoramento.
Na avaliação do candidato, falta ao governo Lula uma estratégia nacional para impedir que o crime organizado continue expandindo sua influência territorial, política e econômica.
Tecnologia contra o crime
Caiado apresentou sua experiência em Goiás como exemplo de utilização da tecnologia na segurança pública.
Segundo ele, sua gestão integrou inteligência artificial às ações operacionais das polícias por meio de uma plataforma estadual voltada ao enfrentamento do crime.
O sistema permitiria reunir informações, identificar padrões, acompanhar movimentações suspeitas e oferecer respostas mais rápidas às forças de segurança.
O candidato defende que ferramentas semelhantes sejam disponibilizadas nacionalmente, com acesso para governadores, polícias estaduais e órgãos federais.
A proposta contrasta com o modelo criticado por Caiado, no qual os estados enfrentam organizações criminosas de alcance nacional e internacional sem uma estrutura federal suficientemente integrada.
Soberania também é controle do território
A declaração sobre PCC e Comando Vermelho surgiu quando Caiado foi questionado sobre acordos firmados com os Estados Unidos e o Japão para atrair tecnologia destinada ao processamento de minerais críticos em Goiás.
O candidato rejeitou a acusação de que essas parcerias comprometeriam a soberania brasileira. Segundo ele, receber tecnologia estrangeira para processar minerais dentro do Brasil é diferente de entregar o controle das riquezas nacionais.
Caiado argumentou que a maior ameaça à soberania ocorre quando o próprio Estado deixa de exercer autoridade sobre partes do território e permite que grupos criminosos assumam o controle da população.
Para o presidenciável, soberania não deve ser tratada apenas como um conceito relacionado a fronteiras, recursos minerais ou relações internacionais. Também significa garantir que as leis brasileiras sejam cumpridas em todas as comunidades.
Segurança entra no centro da eleição
A fala de Ronaldo Caiado mostra que a segurança pública deverá ocupar uma posição de destaque na campanha presidencial de 2026.
O avanço das facções, a presença do narcotráfico nas fronteiras, o controle territorial de comunidades e a circulação de dinheiro do crime organizado pelo sistema financeiro são problemas que ultrapassam as atribuições de um único estado.
Ao responsabilizar o PT, Caiado tenta associar o crescimento das organizações criminosas à falta de prioridade e coordenação durante os governos petistas.
A declaração também pressiona Lula a apresentar resultados concretos. Para a população que convive diariamente com tráfico, extorsão, roubo, homicídio e domínio territorial, anúncios e discursos não substituem a presença efetiva do poder público.
Governo Lula fica diante de uma cobrança direta
A acusação feita por Caiado é uma declaração política de campanha e não uma medição oficial sobre o controle territorial exercido pelas facções. Ainda assim, ela traduz uma realidade percebida por moradores de áreas nas quais criminosos impõem regras, restringem a circulação e desafiam as autoridades.
O governo Lula precisa explicar por que, apesar da estrutura da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e dos órgãos nacionais de inteligência, PCC e Comando Vermelho continuam ampliando sua presença dentro e fora do país.
Também precisa demonstrar como pretende apoiar os estados na recuperação de territórios e no enfrentamento financeiro às organizações criminosas.
Caiado colocou a questão de maneira direta: um país não pode falar em soberania enquanto permite que facções estabeleçam suas próprias leis dentro do território nacional.
A segurança pública deixa, assim, de ser apenas uma preocupação estadual e passa a representar um teste político para Lula. Se o governo federal não conseguir recuperar sua autoridade, a crítica de que o Estado recuou enquanto o crime avançou continuará ganhando força durante a campanha.











