Famílias temem perder casas com dragagem no Rio Solimões e Defensoria cobra explicações do DNIT

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Moradores do Careiro da Várzea denunciam risco de desmoronamentos e possível ausência de licença ambiental. Defensoria Pública cobra esclarecimentos e medidas de proteção para aproximadamente 180 famílias.

Por: Redação MVE

Moradores da comunidade Nossa Senhora Aparecida, conhecida como Prainha, em Careiro da Várzea, na Região Metropolitana de Manaus, denunciam riscos ambientais associados aos serviços de dragagem no Rio Solimões.

A intervenção, atribuída ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), preocupa cerca de 180 famílias, que temem desmoronamentos e a perda de suas residências.

Segundo relatos encaminhados à Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), os trabalhos começaram em 27 de outubro, sem comunicação prévia à comunidade.

Moradores temem desmoronamentos

A principal preocupação é que a retirada de areia do rio intensifique o fenômeno das terras caídas, responsável pelo desmoronamento das margens.

Moradores também relataram manchas de óleo na água e possíveis prejuízos à pesca. A origem da substância ainda precisa ser investigada.

Algumas famílias estimam gastos de aproximadamente R$ 40 mil para transferir suas casas para locais mais seguros.

Defensoria cobra fiscalização

Em 30 de outubro, a Defensoria encaminhou pedido urgente de esclarecimentos ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

O órgão deverá informar se existe licença ambiental, identificar os responsáveis pelos serviços e esclarecer as medidas adotadas para proteger os moradores.

O defensor público Carlos Almeida Filho alertou:

“A dragagem traz problemas para as famílias porque ela amplia o fenômeno das terras caídas, já que a atividade aumenta o calado do rio, fazendo com que haja mais velocidade na passagem das águas.”

A Defensoria também solicitou avaliação de medidas cautelares, incluindo eventual suspensão da atividade caso sejam identificados riscos ou irregularidades.

DNIT afirma que obra é emergencial

O DNIT justifica a dragagem como necessária para melhorar a navegação entre o Porto da Ceasa, em Manaus, e Careiro da Várzea.

A estiagem e os bancos de areia dificultam a circulação das balsas que transportam passageiros e veículos pela travessia da BR-319.

Entretanto, o Ipaam informou que o licenciamento ambiental ainda estava em análise. O instituto relatou movimentação de equipamentos, mas não confirmou o início dos serviços, contrariando relatos dos moradores.

Famílias aguardam respostas

A situação evidencia a necessidade de conciliar a navegação no Rio Solimões com a segurança das comunidades ribeirinhas.

Ainda não há confirmação técnica de que a dragagem tenha causado os danos relatados.

Enquanto aguardam providências, as famílias da Prainha exigem fiscalização, transparência e garantias de que suas residências não serão colocadas em risco.

Fontes: BNC Amazonas, Defensoria Pública do Amazonas e A Crítica.