Por: Redação MVE
Quarenta e um anos após a morte de Tancredo Neves, a Justiça Federal autorizou a família do ex-presidente a acessar documentos médicos relacionados à sua internação e aos procedimentos realizados antes de seu falecimento, em 21 de abril de 1985.
A decisão foi tomada por unanimidade pela 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em julgamento realizado no dia 26 de outubro de 2026.
O processo foi apresentado por Tancredo Augusto Tolentino Neves, filho do político, após o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) negarem o fornecimento dos registros sob alegação de sigilo profissional.
Documentos podem esclarecer dúvidas históricas
A decisão permite que a família tenha acesso a prontuários, relatórios médicos e informações sobre eventuais processos éticos relacionados ao atendimento de Tancredo.
O relator, desembargador federal Roberto Carvalho Veloso, considerou que o sigilo médico não é absoluto e deve ser analisado em conjunto com o direito à informação e à preservação da memória histórica.
A documentação poderá ajudar a esclarecer questionamentos sobre as cirurgias realizadas, as complicações durante a internação e possíveis falhas no tratamento.
É importante destacar que a decisão não comprova a ocorrência de erro médico. Ela autoriza o acesso aos registros para que as circunstâncias sejam examinadas.
Tancredo morreu antes de assumir a Presidência
Eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves representava a transição do regime militar para o governo civil.
Sua posse estava marcada para 15 de março daquele ano. Entretanto, na véspera, ele foi internado em Brasília após apresentar graves problemas abdominais.
Durante 39 dias de internação, passou por sucessivas cirurgias e foi transferido para São Paulo, onde morreu aos 75 anos.
Sem conseguir assumir o cargo, Tancredo foi substituído pelo vice-presidente eleito, José Sarney.
Família busca respostas após quatro décadas
Parte dos questionamentos sobre o tratamento ganhou destaque com o livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves, publicado pelo escritor Luís Mir em 2010.
Os novos documentos poderão contribuir para uma segunda edição da obra e permitir que os familiares examinem informações anteriormente inacessíveis.
A autorização judicial, entretanto, não significa que os documentos serão automaticamente divulgados ao público.
Mais de quatro décadas depois, a decisão abre caminho para esclarecer um dos episódios mais marcantes da redemocratização brasileira: a morte do presidente eleito que nunca chegou a tomar posse.
Fontes: Amazonas1, SBT News e Folha de S.Paulo.











