Por: Redação MVE
Uma grande operação da Polícia Federal (PF) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) atingiu uma estrutura utilizada pelo garimpo ilegal dentro da Estação Ecológica Juami-Japurá, no interior do Amazonas.
Batizada de Operação Pirá’ákãg, a ação resultou na apreensão e inutilização de dragas, embarcações, motores e outros equipamentos empregados na exploração clandestina de recursos minerais dentro de uma unidade de conservação federal.
Segundo balanço divulgado pela própria Polícia Federal, foram aplicadas multas ambientais que, juntas, chegam a R$ 1.622.800.
Onze dragas são retiradas de circulação
A operação foi executada em campo entre os dias 9 e 13 de julho, embora os resultados tenham sido divulgados pela PF em setembro.
O levantamento oficial aponta que foram apreendidos ou inutilizados 11 dragas, três rebocadores metálicos, três botes de alumínio, três motores de popa, uma lancha e uma balsa tipo poitera, além de outras embarcações utilizadas pelos garimpeiros.
Os agentes também encontraram três motores a diesel e dois grupos geradores empregados para manter a estrutura funcionando em plena região amazônica.
A quantidade e o porte dos equipamentos encontrados dão dimensão da estrutura instalada para exploração ilegal na área protegida.
Cerca de 48 mil litros de combustível
Outro número chama atenção.
A PF e o ICMBio retiraram aproximadamente 48 mil litros de combustível que abasteciam a atividade ilegal.
Além do impacto provocado diretamente pela mineração, estruturas clandestinas desse tipo representam risco adicional para rios e floresta pela utilização e armazenamento de grandes quantidades de combustíveis e outros insumos em áreas ambientalmente sensíveis.
A operação teve como objetivo interromper justamente a logística que permite a continuidade do garimpo dentro da unidade de conservação.
Mais de R$ 1,6 milhão em multas
Durante a fiscalização, o ICMBio lavrou três autos de infração ambiental, que totalizaram R$ 1.622.800 em multas.
A Polícia Federal informou que a operação faz parte das ações permanentes de combate aos crimes ambientais e de proteção das unidades de conservação federais na Amazônia.
A nota oficial não informa a realização de prisões nessa ação específica.
Operação ocorreu no interior, e não na cidade de Manaus
Há um detalhe importante na divulgação do caso.
Algumas publicações apresentaram a operação como ocorrida “em Manaus”. A própria página da PF também utiliza “Manaus/AM” em sua identificação institucional.
Entretanto, segundo a descrição oficial da operação, as ações em campo ocorreram na Estação Ecológica Juami-Japurá, unidade de conservação localizada no interior do Amazonas.
Por isso, dizer que a PF “destruiu uma frota de garimpo ilegal em Manaus” pode levar o leitor a imaginar equivocadamente que as dragas estavam operando na capital.
Garimpo ilegal preocupa autoridades no Amazonas
A ofensiva acontece em um cenário mais amplo de pressão para combater o avanço do garimpo clandestino no estado.
Em agosto, o Ministério Público Federal (MPF) informou ter ajuizado ação para que a Justiça determine uma atuação integrada e permanente de órgãos públicos no enfrentamento ao garimpo ilegal no Amazonas.
Segundo o MPF, a atividade provoca danos socioambientais e alcança rios, terras indígenas e unidades de conservação. O órgão defende uma estrutura contínua de fiscalização, em vez de ações exclusivamente pontuais.
A dimensão da estrutura encontrada na Operação Pirá’ákãg reforça o tamanho do desafio.
Não se tratava apenas de equipamentos improvisados: 11 dragas, embarcações, motores, geradores e dezenas de milhares de litros de combustível formavam uma logística capaz de sustentar atividade minerária clandestina em uma região de difícil acesso.
Ao retirar essa estrutura de circulação, PF e ICMBio atingiram diretamente a capacidade operacional do garimpo ilegal dentro da área protegida.











