Por: Redação MVE
BRASÍLIA (DF) — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou nesta segunda-feira (31) uma das etapas mais importantes da preparação tecnológica para as Eleições Gerais de 2026: a compilação dos programas que serão utilizados nas urnas eletrônicas e nos sistemas de transmissão e totalização dos votos.
O procedimento segue até quinta-feira (3). Na sexta-feira, 4 de setembro, será realizada a Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais, quando as versões definitivas dos programas serão assinadas, lacradas física e digitalmente e armazenadas na sala-cofre do TSE.
O que significa lacrar os sistemas?
Na prática, o processo busca garantir que o programa utilizado no dia da eleição seja exatamente aquele que passou anteriormente pelas etapas de inspeção, testes e fiscalização.
Durante a assinatura digital são produzidos os chamados hashes, códigos que funcionam como uma espécie de impressão digital de cada arquivo.
Qualquer alteração posterior no programa, mesmo pequena, produz um hash diferente. Dessa forma, é possível comparar os códigos e verificar se o software instalado nas urnas corresponde à versão oficialmente examinada e lacrada.
Depois de concluído o procedimento, as mídias contendo os programas oficiais permanecem sob a guarda do TSE. Cópias são posteriormente encaminhadas aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), responsáveis pela preparação das urnas em cada estado.
Não é somente o programa da urna
A lacração envolve diferentes componentes da infraestrutura tecnológica das eleições.
Entre eles estão os sistemas responsáveis pelo funcionamento das urnas eletrônicas, registro e transmissão dos Boletins de Urna, recebimento e organização dos dados, totalização dos resultados, criptografia das informações e mecanismos utilizados nas auditorias e verificações de integridade.
Portanto, a etapa não envolve apenas aquilo que o eleitor vê na tela da urna no momento da votação.
Ela alcança também os programas utilizados para fazer os dados saírem das seções eleitorais e chegarem à estrutura responsável pela totalização.
Entidades podem acompanhar e fiscalizar
O procedimento não é realizado exclusivamente pelos técnicos da Justiça Eleitoral.
Entidades fiscalizadoras habilitadas podem acompanhar os trabalhos, verificar a integridade dos sistemas e participar das etapas de auditoria.
Segundo o TSE, neste ciclo eleitoral sete entidades realizaram inspeções dos códigos-fonte: União Brasil, Senado Federal, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Sociedade Brasileira de Computação, Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Procuradoria-Geral da República (PGR) e Controladoria-Geral da União (CGU).
A própria CGU concluiu em agosto uma inspeção que incluiu a programação da urna, módulos de captação e softwares responsáveis pela preparação, transmissão e totalização dos resultados.
Os códigos-fonte dos sistemas das Eleições 2026 foram disponibilizados para fiscalização desde outubro de 2025.
Testes foram realizados antes da lacração
A Justiça Eleitoral também realizou o Teste Público de Segurança e, em maio deste ano, o Teste de Confirmação das correções decorrentes dos resultados encontrados anteriormente.
Segundo o TSE, as tentativas realizadas durante essa etapa não conseguiram comprometer o sigilo nem a integridade do voto.
Esses testes acontecem antes da lacração justamente para permitir que eventuais vulnerabilidades identificadas sejam analisadas e corrigidas antes da produção da versão definitiva dos sistemas.
Sistemas vão para sala-cofre
Na sexta-feira (4), depois da compilação, os sistemas serão assinados digitalmente pelo TSE e poderão receber também as assinaturas das entidades fiscalizadoras participantes.
Em seguida ocorre a lacração física e digital.
Os arquivos são gravados em mídias não regraváveis, colocados em invólucros lacrados e armazenados em cofre da Secretaria de Tecnologia da Informação do Tribunal.
Os respectivos hashes também serão disponibilizados às entidades presentes e publicados, permitindo verificações posteriores.
O cronograma desta semana estabelece compilação e acompanhamento das entidades fiscalizadoras entre 31 de agosto e 3 de setembro. A etapa definitiva de assinatura e lacração ocorrerá em 4 de setembro, quando os sistemas que serão utilizados nas Eleições 2026 estarão oficialmente fechados para o pleito.











