Por: Redação MVE
MANAUS (AM) — O candidato ao Governo do Amazonas David Almeida (Avante) escolheu uma mensagem simples para tentar conquistar o eleitorado estadual: apresentar-se como a “voz do povo” e transformar a identificação popular construída em Manaus em força eleitoral nos 62 municípios.
Em seu programa eleitoral, David coloca famílias, servidores públicos e pacientes que aguardam atendimento pelo Sisreg no centro da narrativa. A campanha utiliza cenas de mobilizações e discursos para reforçar a imagem de um candidato próximo das ruas e distante das estruturas tradicionais de poder.
A estratégia, entretanto, enfrenta uma particularidade que diferencia David de candidatos sem experiência recente no Executivo: ele acabou de administrar a maior cidade do Amazonas.
Por isso, enquanto tenta convencer o interior de que pode reproduzir no Estado o modelo desenvolvido em Manaus, sua passagem pela prefeitura inevitavelmente passa a fazer parte do julgamento do eleitor.
David promete zerar fila do Sisreg
A saúde ocupa espaço central na estratégia eleitoral.
David promete zerar a fila do Sisreg e dobrar o Auxílio Estadual de R$ 150 para R$ 300. Para enfrentar a demanda reprimida por cirurgias e exames, também propõe contratar capacidade ociosa da rede privada, utilizando hospitais particulares em determinados horários para procedimentos pagos pela tabela do SUS.
No programa eleitoral, o candidato chega a classificar o Sisreg como “fila da morte”, utilizando uma expressão de forte impacto para criticar a situação enfrentada por pacientes que aguardam procedimentos.
Mas a saúde também abre espaço para cobrança.
A candidata a vice de David, Shádia Fraxe, foi secretária municipal de Saúde durante sua administração. Assim, adversários poderão confrontar as soluções apresentadas agora para o Estado com aquilo que a dupla conseguiu efetivamente realizar enquanto esteve responsável pela saúde municipal.
“Voz do povo” terá gestão colocada sob julgamento
O mesmo acontece quando David utiliza sua passagem pela prefeitura como credencial administrativa.
Sua gestão realizou obras, programas de infraestrutura e investimentos que serão utilizados na campanha como demonstração de capacidade de execução.
Por outro lado, a administração também enfrentou questionamentos relacionados a contratos públicos, infraestrutura e operações de crédito.
Reportagens recentes lembram ainda investigações envolvendo suspeitas de irregularidades durante a gestão municipal. É necessário ressaltar que investigação não representa condenação, e eventuais responsabilidades dependem da apuração dos órgãos competentes.
Esse conjunto transforma Manaus simultaneamente no maior ativo e em uma das principais vulnerabilidades eleitorais de David.
Promessas antigas também entram no debate
Outro tema que deverá acompanhar a campanha é a infraestrutura.
David utilizou o programa Asfalta Manaus como uma das principais vitrines de sua administração. A promessa de alcançar milhares de ruas recebeu forte divulgação durante sua passagem pela prefeitura.
Ao mesmo tempo, o cumprimento das metas passou a ser questionado por adversários e veículos locais, especialmente diante da permanência de reclamações sobre buracos e pavimentação em diferentes áreas da capital.
A discussão é politicamente relevante porque David agora pretende convencer o eleitor de que sua experiência municipal pode ser ampliada para todo o Amazonas.
Se Manaus é apresentada como exemplo, os resultados da capital também passam a ser parâmetro para avaliar essa proposta.
O desafio está além de Manaus
A própria análise sobre a estratégia eleitoral de David reconhece que um dos maiores desafios da candidatura será transportar sua identidade política da capital para o interior.
E os números mostram uma disputa bastante aberta.
Na pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto, Omar Aziz apareceu com 26% das intenções de voto, seguido por Roberto Cidade, com 18%; Maria do Carmo, 16%; e David Almeida, 15%. Os três últimos estão tecnicamente empatados considerando a margem de erro.
Outro levantamento, do instituto Eficaz, divulgado no dia 28, apresentou cenário diferente: Omar com 24,3%, David com 19,9%, Roberto Cidade com 19,7% e Maria do Carmo com 18,4%. A diferença entre os institutos reforça que a corrida permanece competitiva.
Experiência pode ser vantagem — e cobrança
David Almeida possui uma vantagem que poucos candidatos podem reivindicar: administrou Manaus e, portanto, pode apresentar obras e programas concretos ao eleitor.
Mas existe o outro lado dessa moeda.
Quem apresenta a própria gestão como argumento para governar o Amazonas também precisa aceitar que promessas não cumpridas, problemas administrativos e questionamentos ocorridos naquele período sejam colocados na mesma balança.
É aí que a estratégia da “voz do povo” encontrará seu principal teste.
David não terá apenas de convencer o eleitor de que sabe ouvir.
Terá de mostrar que aquilo que prometeu e realizou em Manaus é suficiente para convencer o restante do Amazonas de que pode fazer melhor em uma estrutura muito maior: o Governo do Estado.











