Por: Redação MVE

A saúde pública do Amazonas voltou ao centro das atenções após uma dura manifestação do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) contra o atraso no pagamento dos médicos que atuam na rede estadual. Segundo as entidades, há profissionais que acumulam entre sete e oito meses sem receber pelos serviços prestados, situação considerada uma das mais graves do país.

A denúncia reacende o debate sobre a gestão da saúde estadual e levanta um alerta para um possível agravamento da assistência à população, caso a situação não seja solucionada rapidamente.

“Governador, pague os médicos do Amazonas”

A cobrança do Conselho Federal de Medicina foi direta.

Durante reunião com representantes da categoria, o conselheiro federal Francisco Cardoso criticou os atrasos e fez um apelo público ao Governo do Amazonas.

“Governador, você não paga ninguém. Por favor, pague os médicos do Amazonas.”

Segundo o CFM, o Amazonas enfrenta um cenário preocupante, com profissionais trabalhando há meses sem receber, enquanto continuam garantindo o funcionamento de hospitais, SPAs, UPAs e unidades de urgência.

Médicos relatam situação financeira insustentável

Durante a mobilização promovida pelo Simeam, médicos relataram dificuldades para manter despesas básicas.

A médica Marilene Maia, que atua na rede de urgência e emergência, afirmou que muitos colegas já não conseguem sequer custear combustível para ir ao trabalho.

Segundo ela, diversos profissionais acumulam dívidas bancárias, atrasos em planos de saúde e dificuldades financeiras após meses sem receber seus honorários.

Mesmo diante da situação, as entidades afirmam que o objetivo não é interromper os atendimentos, mas garantir que o Governo regularize imediatamente os pagamentos.

Categoria prepara ofensiva contra o Estado

O Conselho Federal de Medicina e o Sindicato dos Médicos anunciaram uma atuação conjunta para cobrar providências.

Entre as medidas previstas estão:

As entidades afirmam que o atraso salarial compromete não apenas os médicos, mas toda a população que depende da rede pública.

CFM admite apoiar eventual greve

Outro ponto que chamou atenção foi a manifestação pública de integrantes do Conselho Federal de Medicina em apoio a uma eventual paralisação da categoria.

Os conselheiros afirmaram que, caso os médicos decidam realizar uma greve dentro dos limites éticos e legais, o CFM oferecerá respaldo institucional e jurídico aos profissionais.

A declaração evidencia o nível de preocupação da entidade nacional com a situação enfrentada no Amazonas.

Crise também atinge outros profissionais da saúde

Os problemas não se restringem aos médicos.

Nesta semana, trabalhadores terceirizados da saúde realizaram protestos denunciando atrasos salariais em unidades hospitalares da capital, reforçando o cenário de dificuldades enfrentado pelos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento à população.

A sucessão de denúncias amplia a pressão sobre o Governo do Estado e reforça as críticas à condução da saúde pública amazonense.

Pressão política cresce

A repercussão das denúncias rapidamente chegou ao debate político.

Nas redes sociais, aumentaram as cobranças ao Governo do Amazonas para que regularize os pagamentos e apresente soluções para a crise na saúde. As críticas se intensificaram após declarações do governador sobre outros temas de campanha, levando internautas a responderem com pedidos para que a prioridade seja a regularização dos salários dos profissionais da saúde.

População teme agravamento da crise

Especialistas alertam que atrasos prolongados podem provocar evasão de profissionais, dificuldades para manter escalas de plantão e aumento da sobrecarga nas unidades hospitalares.

Embora médicos afirmem que continuam atendendo por compromisso com a população, a categoria considera que a situação chegou ao limite.

O episódio expõe uma realidade preocupante: enquanto milhares de amazonenses dependem diariamente do Sistema Único de Saúde (SUS), profissionais responsáveis por salvar vidas denunciam meses de trabalho sem remuneração.

Agora, a expectativa é que o Governo do Estado apresente um calendário para regularizar os pagamentos e evitar que a crise administrativa se transforme também em uma crise assistencial de maiores proporções.

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