Por: Redação MVE
O governo federal prepara uma ampla ofensiva contra presídios apontados pelos setores de inteligência como centros de aplicação de golpes por celular e articulação do crime organizado. A estratégia faz parte do Programa Brasil contra o Crime Organizado e prevê a modernização de 138 unidades prisionais consideradas estratégicas em todo o país.
Segundo informações divulgadas pelo R7, o objetivo é cortar a comunicação entre detentos e integrantes de facções fora dos presídios, utilizando bloqueadores de sinal, rastreadores eletrônicos e sistemas avançados de monitoramento. O investimento previsto no projeto ultrapassa R$ 324 milhões.
A seleção das unidades foi feita com base em dados da inteligência penitenciária e mapeamentos da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). Embora os nomes oficiais não tenham sido divulgados, integrantes do governo citam como exemplos presídios como a Papuda, no Distrito Federal, unidades do complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, e a penitenciária de Francisco Sá, em Minas Gerais.
Entre os equipamentos previstos estão scanners corporais semelhantes aos utilizados em aeroportos, aparelhos de raio-X para inspeção de cargas e alimentos, drones, detectores de metal, reconhecimento facial e softwares de inteligência. O plano também inclui “mochilas silenciadoras”, tecnologia capaz de interromper sinais de telefonia móvel em áreas específicas das unidades prisionais.
Outra novidade é o uso de georradares para identificar possíveis túneis e rotas de fuga subterrâneas. A ferramenta já começou a ser utilizada em operações recentes dentro do sistema penitenciário federal.
O endurecimento do controle ocorre em meio ao aumento dos golpes aplicados por criminosos de dentro dos presídios, principalmente fraudes bancárias e estelionatos virtuais. Recentemente, o governo também sancionou uma nova legislação endurecendo penas para crimes digitais, roubos de celulares e uso de “contas laranja” em esquemas financeiros ilícitos.
Além da modernização tecnológica, o governo pretende ampliar operações surpresa nas penitenciárias. A Operação Mute, que realiza revistas simultâneas sem aviso prévio em diferentes estados, deverá ocorrer duas vezes por mês. Em ações recentes, centenas de celulares foram apreendidos em presídios brasileiros.
A meta do Ministério da Justiça é reduzir drasticamente a atuação remota das facções criminosas e enfraquecer o comando de crimes praticados de dentro das unidades prisionais. Segundo autoridades federais, a prioridade é atingir presídios considerados “campeões” em golpes e articulações criminosas.











