A Polícia Federal identificou um suposto esquema de espionagem e ataques cibernéticos ligado ao empresário Henrique Vorcaro, pai do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo as investigações da Operação Compliance Zero, integrantes do núcleo hacker conhecido como “Os Meninos” recebiam até R$ 75 mil mensais para executar invasões digitais, monitoramentos clandestinos e derrubar perfis em redes sociais.
De acordo com a decisão do ministro do STF André Mendonça, o grupo fazia parte de uma organização criminosa mais ampla, estruturada para proteger interesses do Banco Master e intimidar adversários, jornalistas e investigadores. A PF afirma que o esquema movimentava aproximadamente R$ 1 milhão por mês.
As investigações apontam que a organização era dividida em dois núcleos. O primeiro, chamado de “A Turma”, atuava em monitoramento presencial, intimidações e obtenção ilegal de dados sigilosos. Já “Os Meninos” operavam na frente digital, especializada em ataques cibernéticos e invasões telemáticas.
Segundo a PF, o grupo hacker era coordenado por David Henrique Alves, ligado à empresa Bipe Software Brasil. Ele receberia pagamentos mensais por meio de contratos usados para dar aparência legal às transferências financeiras. Outros integrantes citados nas investigações incluem Victor Lima Sedlmaier e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, apontados como operadores técnicos do esquema.
A Polícia Federal afirma que os hackers teriam conseguido acessar sistemas internos do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e até organismos internacionais, como Interpol e FBI, usando técnicas de “spear phishing” para roubar credenciais de servidores públicos.
Na decisão que autorizou novas prisões preventivas, André Mendonça descreveu a estrutura investigada como “sofisticada” e afirmou que havia risco concreto de continuidade criminosa e destruição de provas. A PF também identificou trocas frequentes de números telefônicos e uso de chips internacionais por integrantes do grupo para dificultar rastreamento.
As investigações ainda apontam participação de policiais federais da ativa e aposentados suspeitos de fornecer informações sigilosas à organização. Uma delegada da PF chegou a ser afastada por suposto acesso indevido a inquéritos sigilosos relacionados ao caso Banco Master.
A Operação Compliance Zero teve nova fase deflagrada nesta quinta-feira (14.mai.2026), com cumprimento de mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.











