Manaus (AM) — Operações realizadas por órgãos federais contra o garimpo ilegal no município de Japurá, no interior do Amazonas, provocaram forte repercussão política e reacenderam o debate sobre a atuação das autoridades ambientais e de segurança na região amazônica.
A reação mais dura veio de parlamentares amazonenses, que passaram a criticar publicamente a condução das operações realizadas pela Polícia Federal, Ibama, ICMBio e forças de segurança em áreas de garimpo ilegal.
As ações fazem parte de uma ofensiva federal para combater crimes ambientais e atividades ilegais na Amazônia, especialmente em regiões de preservação ambiental e territórios próximos a comunidades tradicionais.
Operações destruíram dragas e embarcações
Uma das principais ações ocorreu durante a Operação Yuruparí, realizada pela Polícia Federal e pelo ICMBio na Estação Ecológica Juami-Japurá. Segundo informações oficiais, foram inutilizadas 18 dragas, 12 rebocadores e seis balsas utilizadas no garimpo ilegal.
Já durante a Operação Ágata Amazônia 2026, coordenada pelo Ministério da Defesa com participação da Marinha do Brasil, Ibama, Polícia Federal e Polícia Militar, outras 50 dragas ilegais foram neutralizadas nas regiões de Japurá e Jutaí. O prejuízo estimado ao garimpo ilegal ultrapassa R$ 151 milhões.
Além das dragas, as forças de segurança apreenderam armas, munições, mercúrio, combustível e embarcações utilizadas na atividade criminosa.
Clima de tensão no interior do Amazonas
Após as operações, vídeos e relatos compartilhados nas redes sociais mostraram um clima de tensão em Japurá. Moradores relataram medo, insegurança e preocupação com os impactos econômicos das ações na região.
Parte da população afirma que muitas famílias dependem economicamente das atividades ligadas ao garimpo, ainda que ilegal, e criticam a ausência de alternativas econômicas oferecidas pelo poder público.
As imagens da destruição das dragas também repercutiram entre lideranças políticas do Amazonas, principalmente entre parlamentares ligados a pautas conservadoras e ao setor mineral.
Senadores acusam excessos
As críticas aos órgãos federais não são inéditas. Em 2025, durante diligência no Amazonas, os senadores Damares Alves e Plínio Valério já haviam denunciado supostos abusos cometidos em operações semelhantes realizadas em Humaitá e Manicoré.
Na ocasião, Plínio Valério afirmou que os órgãos ambientais e de fiscalização tratavam trabalhadores da região como criminosos sem considerar a realidade econômica do interior amazônico. Já Damares Alves classificou o cenário encontrado como “caos”.
Os parlamentares defenderam ainda a regulamentação do extrativismo mineral familiar como alternativa para reduzir conflitos entre garimpeiros e órgãos federais.
Governo federal defende combate ao garimpo ilegal
Por outro lado, os órgãos federais afirmam que as operações são fundamentais para combater crimes ambientais, proteger rios amazônicos e impedir danos às populações indígenas e ribeirinhas.
Segundo a Marinha do Brasil, o garimpo ilegal representa uma das maiores ameaças ambientais da Amazônia, principalmente devido à contaminação dos rios por mercúrio e à destruição de ecossistemas fluviais.
A Polícia Federal também informou que as ações seguem critérios previstos na legislação ambiental e fazem parte de um esforço permanente de repressão às atividades ilegais na região amazônica.
Debate político aumenta no Amazonas
A repercussão das operações em Japurá amplia o embate político no Amazonas entre defensores de uma atuação ambiental mais rígida e grupos que defendem maior flexibilização das atividades minerárias na região.
Nos bastidores, o tema já começa a ganhar espaço nas discussões políticas para as eleições de 2026, principalmente entre parlamentares ligados à pauta da exploração mineral e do desenvolvimento econômico da Amazônia.











