O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), elevou o tom do embate contra o Supremo Tribunal Federal (STF) em uma nova publicação que já sacode os bastidores de Brasília. Mesmo após o ministro Gilmar Mendes acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar falas anteriores do governador, Zema divulgou um vídeo onde compara a atual cúpula do Judiciário com a Coroa Portuguesa do período colonial.
No vídeo, que rapidamente viralizou nas plataformas digitais, o governador mineiro utiliza uma analogia histórica para criticar o que chama de “privilégios e distanciamento da realidade” por parte dos magistrados. “Parece que voltamos ao tempo em que uma casta, encastelada e intocável, decidia o destino de quem trabalha, sem prestar contas a ninguém, como se fossem a realeza vinda de Portugal”, afirmou Zema.
1. O Gatilho: A Ação de Gilmar Mendes
O movimento de Zema é uma resposta direta à decisão de Gilmar Mendes de pedir a abertura de um inquérito para apurar se o governador cometeu crime de calúnia ou incitação ao crime ao utilizar o termo “Intocáveis” para se referir aos ministros em uma entrevista recente.
- A Reação de Zema: Em vez de recuar diante da pressão jurídica, o governador optou pela estratégia do “confronto aberto”, reforçando sua base eleitoral que critica o chamado ativismo judicial.
- A Defesa do Governador: Aliados de Zema sustentam que ele está apenas exercendo seu direito à liberdade de expressão e criticando a gestão da dívida de Minas Gerais, que hoje depende de decisões da Suprema Corte.
2. Analogia Histórica e Narrativa Política
Ao evocar a figura da Coroa Portuguesa, Zema toca em uma ferida histórica de Minas Gerais — a Inconfidência Mineira. A narrativa sugere que o estado está sendo novamente “sufocado” por impostos e decisões centralizadoras vindas da capital.
Para analistas políticos, a estratégia de Zema visa consolidar seu nome como a principal alternativa da direita para 2026, ocupando o espaço de “vítima do sistema” que foi central na comunicação de outros líderes conservadores.
3. Os Riscos Jurídicos e Políticos
Embora a estratégia gere engajamento nas redes sociais, o caminho é considerado arriscado. O STF tem demonstrado pouca tolerância com ataques diretos à instituição nos últimos anos.
- Possível Inelegibilidade: Caso a investigação na PGR avance e resulte em uma condenação criminal, Zema pode enfrentar obstáculos para futuras candidaturas.
- Isolamento Institucional: A postura de confronto pode dificultar a negociação da dívida bilionária de Minas Gerais com a União, que passa obrigatoriamente pelo crivo do STF.











