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Medo de Retaliação Política: Ex-major Ailton Barros diz que presídio Benfica é conhecido pelos seus detentos tem orgulho de ser “eleitores do Lula” e teme por sua vida

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Em audiência de custódia, militar preso por suposta trama golpista afirma que convivência com opositores políticos em Benfica representa ameaça; defesa pede transferência imediata para Bangu 8

Por: [Manuel Menezes]

RIO DE JANEIRO — O ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros, preso em decorrência das investigações sobre uma suposta trama golpista, afirmou perante a Justiça que sua integridade física está em grave risco no Presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio. Durante audiência de custódia realizada nesta sexta-feira, o militar declarou que a ameaça não advém de sua condição de ex-membro das Forças Armadas, mas sim do antagonismo político com a maioria da população carcerária da unidade.

Em depoimento ao final da audiência, após a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Ailton Barros solicitou a palavra para reforçar um pedido de transferência. Ele alegou que Benfica abriga, notadamente, detentos com inclinações políticas opostas às suas.

“O meu risco de vida aqui é muito menos em relação à minha condição de ex-militar do que à parte política. O presídio aqui é notadamente conhecido […] como muitos eleitores do Lula. E isso aqui me causa sérios problemas”, afirmou o ex-major.

Barros ainda mencionou que sua defesa já peticionou ao ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitando a mudança para a Unidade Prisional Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8). A narrativa enviada ao STF inclui detalhes de supostas agressões que o militar teria sofrido anteriormente, citando nomes de médicos que o atenderam como prova de sua vulnerabilidade.

Fator Político e o Dever de Segurança

O caso de Ailton Barros reacende um debate sensível no sistema prisional brasileiro: a convivência entre detentos com perfis ideológicos e políticos opostos. O Artigo 5º da Constituição Federal garante ao preso o respeito à integridade física e moral, o que coloca sobre o Estado a responsabilidade de garantir um ambiente seguro para o cumprimento da pena.

A Defensoria Pública e os advogados de Barros aguardam uma decisão urgente do ministro Alexandre de Moraes. O argumento central é que manter o militar em uma unidade de “perfil político” majoritariamente adverso pode resultar em tragédia iminente, ferindo o dever constitucional de tutela dos custodiados.

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