BRASÍLIA – O cenário político e jurídico brasileiro volta a ser alvo de metáforas bíblicas e críticas contundentes. Em artigo recente, o escritor e jornalista Paulo Briguet traçou um paralelo histórico e religioso para descrever a atual fase do Supremo Tribunal Federal (STF), focando especificamente na figura do ministro Alexandre de Moraes. Sob a alcunha de “Faraó do Supremo”, Briguet descreve o que considera ser uma sucessão de “pragas” que atingiram as liberdades individuais e o equilíbrio entre os poderes no Brasil.
O texto, que circula amplamente nos bastidores da direita conservadora, utiliza a simbologia do Êxodo para ilustrar o avanço do Poder Judiciário sobre as prerrogativas do Legislativo e do Executivo, especialmente nos últimos anos de inquéritos sob sigilo.
As “Dez Pragas” sob a Ótica da Crítica
Briguet enumera uma série de episódios que, segundo sua visão, compõem o quadro de “punições” ao povo e às instituições brasileiras. Entre os pontos destacados no artigo original, figuram:
- A Censura Prévia: A suspensão de perfis em redes sociais e o bloqueio de plataformas, interpretados como o cerceamento da liberdade de expressão.
- Inquéritos Perpétuos: O questionamento sobre a duração e o escopo do “Inquérito das Fake News”, que concentra funções de investigador e julgador em uma única figura.
- Prisões Preventivas: A crítica à manutenção de prisões de figuras políticas e manifestantes sem o devido processo legal acelerado, comparada ao endurecimento do coração do governante egípcio.
- Multas Milionárias: O uso de sanções financeiras pesadas contra empresas e cidadãos como forma de coerção estatal.
O Debate sobre o “Absolutismo Judicial”
O artigo de Paulo Briguet ecoa uma preocupação de setores da sociedade civil e de juristas que apontam para uma hipertrofia do Judiciário. A tese central é que o STF, sob a liderança de Moraes em pautas sensíveis, teria deixado de ser o guardião da Constituição para se tornar um legislador de fato, criando normas e punições que não passaram pelo Congresso Nacional.
Por outro lado, defensores das medidas de Alexandre de Moraes sustentam que tais ações são necessárias para a defesa das instituições democráticas contra ataques coordenados e tentativas de ruptura institucional. Para este grupo, o ministro não é um “faraó”, mas um “escudo” contra o autoritarismo.
Impacto Cultural e Político
O uso de metáforas religiosas por Briguet não é apenas uma escolha estética; é uma ferramenta de mobilização de base. Ao comparar o cenário atual às dez pragas, o autor conecta o sentimento de insatisfação política a uma narrativa de resistência moral.
Com a aproximação das eleições de 2026, textos com este teor ganham força como munição retórica para candidatos que buscam pautar a reforma do Judiciário e o fim de inquéritos excepcionais como prioridades de governo.











