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Governo de ocasião: Roberto Cidade assume o Amazonas sem um único voto para o Executivo

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Ascensão do presidente da Aleam ao cargo de governador expõe a fragilidade das instituições e o uso do Estado como peça de xadrez em acordos de cúpula.

Por: [Manuel Menezes]

O Amazonas assiste, neste domingo (5), a mais um capítulo da sua crônica de instabilidade e arranjos de bastidor. Com a renúncia conjunta e estrategicamente coordenada de Wilson Lima e Tadeu de Souza, o estado agora é governado por Roberto Cidade (União Brasil). O detalhe que não pode ser esquecido: Cidade chega ao posto mais alto do Executivo sem ter recebido um único voto popular para esta função.

​A manobra, embora revestida de legalidade jurídica, carrega um déficit de legitimidade política que salta aos olhos. Roberto Cidade assume a máquina pública não por um projeto de governo debatido com a sociedade, mas por uma carona institucional deixada por quem decidiu abandonar o barco no meio do caminho para perseguir projetos pessoais em Brasília.

O “Presente” de Wilson Lima

Ao renunciar para disputar o Senado, Wilson Lima não apenas deixou o cargo; ele “terceirizou” a caneta oficial para um aliado de primeira hora. Para Roberto Cidade, a renúncia da chapa eleita é um presente de valor inestimável: ele agora terá o controle total do orçamento estadual para pavimentar sua própria candidatura à reeleição em outubro, partindo de uma vantagem desleal contra qualquer adversário.

Instituições a Serviço de Grupos

A rapidez com que as cartas de renúncia foram protocoladas e a posse de Cidade foi organizada — tudo sob o manto do silêncio da madrugada — revela um estado onde as instituições parecem funcionar sob encomenda. Enquanto a Assembleia Legislativa (Aleam) agora passa para as mãos de Adjunto Afonso, o grupo político que hoje domina o Amazonas fecha o cerco, controlando simultaneamente o Governo e o Legislativo.

​O cidadão amazonense, que votou em 2022 esperando quatro anos de gestão de uma chapa específica, vê seu voto ser usado como moeda de troca. O governo de Roberto Cidade nasce sob a sombra do oportunismo eleitoral, restando saber se ele governará para os interesses das vicinais, da saúde e da segurança, ou se o Palácio da Compensa será transformado em um comitê de campanha antecipado para 2026.