A Ferrari revelou nesta segunda-feira, 9, nome e detalhes do interior do seu primeiro modelo puramente elétrico da marca. O carro, com mais de 1.000 cv e lançamento programado para o segundo semestre, atenderá por “Luce” (Luz, em tradução literal).
A marca italiana divulgou ainda teasers do interior do modelo. E não se trata de um mero interior: este é o resultado de um trabalho de cinco anos entre a Ferrari e a LoveFrom, coletivo criativo por Marc Newson e Sir Jony Ive, o homem por trás do design de iPhone, iMac e iPod.
A LoveFrom trouxe para a Luce uma expertise que desafia convenções da indústria, onde telas gigantescas costumam mascarar a falta de imaginação. Ive e Newson, os mesmos arquitetos das telas touch, decidiram que, em uma Ferrari, o motorista precisa sentir o carro, não apenas comandá-lo.
Por isso, o habitáculo foi concebido como um volume único e racionalizado, onde a arquitetura física e o comportamento do software são indissociáveis. Algo parecido com o que Ive desenvolvia em seus tempos de Apple (o designer chegou a ser vice-presidente da companhia).
Ao contrário da maioria dos carros elétricos contemporâneos, a Ferrari Luce celebra o controle mecânico. Botões e seletores foram projetados para que cada clique ofereça um feedback acústico e tátil satisfatório. É uma interface que exige engajamento, criando uma conexão visceral que muitos temiam que se perderia no primeiro carro elétrico de Maranello.
O volante da Ferrari Luce
Nenhum elemento exemplifica melhor esse encontro de mundos do que o volante. Este é uma homenagem direta à herança da marca, reinterpretando o clássico Nardi de três raios dos anos 1950 e 1960.

No entanto, a execução é puramente futurista e minimalista. Sua estrutura em alumínio 100% reciclado é intencionalmente exposta, revelando a força do material. Construído a partir de 19 peças usinadas em CNC, ele é 400 gramas mais leve que o volante de qualquer Ferrari atual.
Para completar, a organização dos comandos em dois módulos analógicos espelha o cockpit de um Fórmula 1, garantindo que a funcionalidade nunca comprometa a clareza.
O ritual de ignição, essencial na mística da marca, foi reinventado para a era digital. A chave, por exemplo, incorpora um display que muda de cor, integrando-se visualmente à superfície de vidro enquanto a Luce desperta.

Painel de instrumentos inédito
Já o painel de instrumentos é um feito inédito para a Ferrari. Isso porque é montado diretamente na coluna de direção para acompanhar o ajuste do volante.
Desenvolvido em parceria com a Samsung Display, o painel utiliza duas telas OLED sobrepostas. Três recortes na tela superior revelam informações da tela inferior, criando uma profundidade de campo tridimensional que atrai o olhar e facilita a leitura instantânea.
O seletor de marchas é esculpido em vidro. Para gravar a iconografia, a Ferrari e a LoveFrom dizem ter utilizado lasers para criar furos com a metade da largura de um fio de cabelo humano, onde a tinta é depositada com precisão absoluta.

O alumínio utilizado em todo o interior é usinado a partir de blocos sólidos por meio de tecnologia CNC e submetido a um processo de anodização que cria uma microestrutura hexagonal na superfície. O resultado, salienta a Ferrari, é uma textura refinada e uma cor profunda que resistirá ao teste do tempo.
Ferrari Luce tem mais de 1.000 cv
Em maio de 2026, a Ferrari revelará o design exterior da Luce, como mais uma parte do lançamento do modelo. Vale lembrar que detalhes mecânicos foram divulgados em outubro passado, quando o carro ainda era chamado de Elettrica.
O chassi conta com estrutura de baterias (de 122 kWh e 800 volts, no piso, entre os eixos dianteiro e traseiro) e quatro motores elétricos. A Ferrari Luce rende 1.129 cv (o eixo dianteiro gera 286 cv, e o traseiro, 843 cv) e tem tração integral. O torque é de brutos 106 kgfm.
De acordo com a fabricante, a Luce cumpre o 0 e 100 km/h, em apenas 2,5 segundos e tem velocidade máxima de 210 km/h. Isso porque o carro pesa 2.300 kg.
As baterias (são 15 módulos com 210 células) garantem, diz a Ferrari, centro de gravidade 8 centímetros mais baixo do que um modelo equivalente a combustão. Permitem ainda adição de 300 km de autonomia em uma recarga de apenas 20 minutos em estações de até 350 kW. A fabricante estima alcance total de cerca de 530 km.












