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“Rui Costa, disse que conhecia ele, e ele então me contou da perseguição que ele estava sofrendo”, disse Lula sobre o bate papo com Vorcaro no Palácio do Planalto

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Em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter dito ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante encontro no Palácio do Planalto, que o banco seria alvo de uma “investigação técnica” pelo Banco Central, sem “posição política pró ou contra”.

Se o presidente Lula se referia à investigação que apura fraudes na venda de carteiras para o BRB (Banco Regional de Brasília), as datas não batem.

O encontro entre Lula e Vorcaro ocorreu em 4 de dezembro de 2024. Foi realizado a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Também estavam presentes Augusto Lima, então identificado como CEO do Master, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Gabriel Galípolo, que assumiria a presidência do BC em janeiro de 2025.

Documentos que embasam a ação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, redigidos pelo próprio BC, mostram que a investigação tem como ponto de partida março de 2025 —três meses depois da data do encontro.

Questionado durante a entrevista ao UOL sobre a reunião no Planalto, Lula respondeu o seguinte:

“Primeiro, eu já recebi nesse mandato meu o Itaú, o Bradesco, o Santander, o BTG Pactual, todos os bancos. E não tinha agenda marcada comigo, quando o Guido [Mantega] veio com o André [Daniel] Vorcaro a Brasília e pediu se eu puder atender, ele veio conversar comigo. Chamei o Galípolo, chamei o Rui Costa, que conhecia ele, e ele então me contou da perseguição que ele estava sofrendo, que tinha gente interessada em derrubar ele, que não sei das contas e tal”, afirmou.

“O que eu disse para ele? Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central. Foi essa a conversa. Você fique tranquilo que a política não entrará na investigação, o que vai entrar é a competência técnica do Banco Central para saber se está errado, se quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem. E é isso que está sendo feito. Depois disso, chamei no meu gabinete o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e o procurador-geral da República, para que o Haddad contasse o que ele pensava do Banco Master, para que o Galípolo contasse a relação e que a Procuradoria tentasse ajudar, porque nós estávamos diante da primeira chance real de pegar os magnatas da corrupção”, continuou.