O ministro Dias Toffoli, do Supremo, deu uma bronca pública na Polícia Federal na decisão em que autorizou, ontem, a prisão temporária do cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
No despacho, que o ministro tornou público nesta quarta (14), ele relata ter determinação busca e apreensão contra o cunhado do banqueiro e o empresário Nelson Tanure no último dia seis de janeiro. Toffoli detalha ter dado 24 horas para a PF cumprir a ordem, o que não ocorreu.
“Cuida-se de pedido de busca pessoal e prisão temporária de FABIANO CAMPOS ZETTEL [cunhado de Vorcaro] e de busca pessoal em NELSON SEQUEIROS TANURE, ambos alvos de pedidos anteriores de medidas cautelares ainda não cumpridas pela autoridade policial”, inicia o ministro.
“Note-se que essas medidas cautelares foram requeridas, com envio da documentação pertinente, no dia 06.01.2026, e deferidas na data de 07.01.2026, com ordem subsequente para cumprimento no prazo de 24 horas a partir de 12.01.2026, diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”, seguiu.
Ainda segundo o ministro, a PF não conseguiu executar a operação no prazo, ou seja, a partir do dia 12, e renovou o pedido de prisão do cunhado de Vorcado e de busca e apreensão contra Tanure quando identificou que ambos viajariam na véspera da segunda fase da operação Compliance Zero.
“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas.”
A PF prendeu o cunhado de Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, nesta madrugada, quando ele tentava embarcar para Dubai. Já Tanure faria uma viagem interna, dentro do Brasil.
O ministro afirma que são graves os indícios de prática criminosa de ambos. A coluna apurou que a família de Vorcaro é suspeita de ter ajudado o banqueiro a dissimular seu patrimônio por meio de imóveis.











