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ARTIGO: Quando o Marketing Cansa e a Política Acorda

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Por Edson Sampaio

Por muito tempo, acreditou-se que a política amazonense havia sido capturada por uma ilusão moderna: a de que curtidas substituem liderança, alcance substitui credibilidade e impulsionamento substitui voto. Mas 2026 começa desmontando, com método e números, essa fantasia confortável.

O estudo recente do especialista Ronaldo Aleixo não fala apenas de redes sociais. Ele revela algo mais profundo: a exaustão do eleitor diante de uma comunicação que promete mais do que entrega — e entrega menos do que publica.

A gestão David Almeida transformou o Instagram em vitrine. O problema é que vitrine sem loja não sustenta freguesia.

A Métrica do Desgaste

Enquanto a prefeitura mantém alto volume de postagens, o engajamento real evapora. Comentários críticos superam elogios. Compartilhamentos caem. O público não reage — cobra. E isso é sintoma clássico de erosão política.

A chamada “métrica do desgaste” aponta que a rejeição já não é silenciosa: ela se manifesta, se replica e se organiza digitalmente. Não há algoritmo que oculte frustração coletiva.

Nesse vácuo, dois personagens ocupam o espaço deixado pelo prefeito.

Omar Aziz aparece como o político da articulação, do trânsito em Brasília, do discurso pragmático. Não encanta pelo marketing — conquista pela utilidade política. É visto como quem resolve, não como quem publica.

Maria do Carmo, por sua vez, canaliza um eleitorado ideológico, conservador e cansado de narrativas administrativas. Sua ascensão não se dá por volume, mas por identificação. Seu público compartilha porque acredita — não porque é orientado.

David Almeida, em contraste, enfrenta o mais cruel dos inimigos políticos: o teto da rejeição. Quando mais de 70% da população declara que promessas não são cumpridas, qualquer campanha se transforma automaticamente em prestação de contas forçada.

Postar asfalto, nesse contexto, não comunica progresso — comunica atraso.

A Política Sai do Estúdio e Volta para a Rua

O dado mais simbólico do estudo não está nas porcentagens, mas no comportamento: a audiência migrou da publicidade para a autoridade. Do anúncio para a narrativa. Da estética para a substância.

A política amazonense começa a demonstrar que o eleitor já não se impressiona com edição, trilha sonora ou slogan. Ele quer coerência, entrega e direção.

E enquanto o prefeito luta para manter a relevância, o tabuleiro se move nos bastidores. Fontes apontam que a máquina poderá mudar de operador, com Tadeu de Souza surgindo como alternativa do Avante, numa tentativa clara de salvar a estrutura antes que ela afunde junto com o comandante.

O Fim de uma Ilusão

O que se encerra em 2026 não é apenas um ciclo eleitoral. É um modelo de fazer política baseado na crença de que comunicação pode substituir gestão.

O eleitor amazonense começa a dar um recado claro: propaganda não governa, postagem não administra, engajamento não pavimenta ruas, não melhora saúde, não resolve transporte.

A política, enfim, está voltando a ser política.

E quem não entender isso, continuará falando sozinho — mesmo com milhões de visualizações.