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Mortes nos protestos no Irã podem ter passado de 6 mil

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Manifestantes são 'inimigos de Deus', declara procurador-geral

De acordo com a organização não governamento (ONG) Iran Human Rights (IHR), que monitora questões relacionadas aos direitos humanos no Irã, estimativas mostram que mais de 6 mil manifestantes podem ter sido mortos na onda de protestos iniciada no fim de dezembro no país. Inicialmente, o movimento criticava o aumento do custo de vida, mas passou a pedir o fim do regime que comanda o país, conforme avançou.

O Irã se tornou uma República Islâmica há décadas. Desde então, a população vive sob uma ditadura baseada na interpretação da religião feita pelo grupo no poder. A repressão aos opositores se tornou política oficial. Na recente onda de protestos, não é diferente.

Segundo a IHR, há relatos de espancamentos e execuções em várias cidades do país. O regime cortou a internet em 8 de janeiro, o que dificultou as comunicações e a conferência das informações. Ainda assim, a ONG recebe diariamente confirmações de novas mortes e as consequentes revisões das estimativas. Até o momento, 648 mortes foram confirmadas — elas ocorreram em 14 das 31 províncias que formam o país, mas a própria organização ressalta que há a possibilidade de os números terem passado dos 6 mil. Além disso, a mídia estatal relata a morte de 121 agentes do Estado, entre “membros das forças militares, policiais e judiciais”.

Em meio à repressão, também houve detenções de presos políticos: 10 mil pessoas desde o começo dos protestos, indicam estimativas. No último sábado, 10, Mohammad Movahedi-Azad, procurador-geral do Irã, declarou que todos os manifestantes envolvidos na atual onda de protestos são “mohareb”, jargão jurídico para “inimigos de Deus”. Segundo a legislação iraniana, trata-se de um crime punível com a pena de morte.

A ditadura no Irã

O regime é comandado por um aiatolá, sacerdote muçulmano do alto clero. A palavra vem do árabe, e a tradução do título é literalmente “sinal de Deus”. Ele ocupa o cargo de líder supremo do Irã. Desde 1989, o posto pertence ao mesmo homem: Ali Khamenei. Trata-se do sucessor de Ruhollah Khomeini — o aiatolá que implantou a República Islâmica em 1979.

Durante o comando dos aiatolás, o Estado iraniano passou de uma monarquia laica para a ditadura religiosa. Homens e mulheres não são mais iguais perante a lei. Homossexuais são punidos com a pena de morte. Cristãos e judeus não têm os mesmos direitos que os muçulmanos.