Menu

Exército quer sistema de defesa bilionário antidrone e míssil em 2026

WhatsApp
Facebook
Telegram
X
LinkedIn
Email

O Exército Brasileiro prepara a contratação, a partir de 2026, de um sistema avançado de defesa antiaérea voltado à interceptação de drones e mísseis de cruzeiro. O investimento estimado pode chegar a R$ 3,4 bilhões e faz parte de um amplo plano de modernização impulsionado pela nova lei complementar que permite a exclusão de até R$ 30 bilhões do arcabouço fiscal para gastos em defesa.

A mudança no regime fiscal abriu espaço para acelerar projetos considerados estratégicos diante do novo cenário internacional de ameaças. Com a flexibilização do teto de gastos para a área militar, o governo federal poderá direcionar recursos adicionais especificamente para investimentos em capacidades defensivas, beneficiando diretamente programas do Exército.

A aquisição do sistema antiaéreo integra uma reorganização mais ampla da carteira de projetos da força terrestre. Segundo planejamento interno, os aportes anuais destinados à modernização devem praticamente dobrar entre 2026 e 2031.

O orçamento anual, que vinha oscilando entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, deverá alcançar aproximadamente R$ 3 bilhões por ano nesse período, conforme reportagem publicada pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC. 

Um dos pilares dessa ampliação é a possibilidade de concentrar investimentos estratégicos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com a nova margem fiscal, o Exército pretende direcionar para o programa os projetos considerados críticos, enquanto iniciativas de menor prioridade passarão a depender do orçamento discricionário. Integrantes do alto comando avaliam que o ciclo entre 2026 e 2031 representa uma janela decisiva para reduzir atrasos acumulados ao longo de décadas.

Prevista para começar em 2026, a contratação do novo sistema de defesa antiaérea deverá introduzir uma tecnologia ainda inédita entre as forças armadas da América Latina. O objetivo é estabelecer uma camada eficaz de proteção contra drones e mísseis de cruzeiro, ameaças que ganharam protagonismo em conflitos recentes fora do país e passaram a influenciar o planejamento militar brasileiro.

O sistema fará parte de uma nova arquitetura de defesa, que busca integrar capacidades hoje distribuídas em programas distintos. A expectativa é que a solução inclua sensores, radares, sistemas de comando e controle e interceptadores capazes de operar em diferentes altitudes, ampliando a capacidade de resposta do Exército a ataques aéreos modernos.

Paralelamente, a força terrestre pretende acelerar a modernização de sua frota blindada. O plano prevê a incorporação de 96 unidades do blindado Centauro II-BR até 2033. O contrato, estimado em cerca de R$ 5 bilhões, deve ser assinado entre fevereiro e maio e inclui cláusulas de compensação tecnológica e serviços de logística integrada.

O processo de reestruturação também envolve a reclassificação de projetos internos. Programas como o Lucerna, voltado à inteligência militar, e o OCOP, relacionado à obtenção de capacidade operacional plena, deixarão de ser considerados estratégicos e passarão à categoria setorial, ficando fora do PAC.

Já iniciativas de infraestrutura, como Amazônia Protegida e Sentinela da Pátria, serão unificadas, enquanto a área de Defesa Cibernética receberá reforço com projetos ligados ao uso de inteligência artificial.

O programa de Aviação do Exército, que inclui a aquisição de helicópteros Black Hawk, não sofrerá alterações. Com a redefinição de prioridades e a nova folga fiscal, o sistema antiaéreo surge como um dos investimentos mais sensíveis e estratégicos do próximo ciclo de modernização do Exército Brasileiro.

(Foto: Palácio do Planalto; Fonte: Times Brasil)