A oposição ao governo federal na Câmara dos Deputados formalizou nesta segunda-feira (29) um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa tem como base denúncias envolvendo encontros do magistrado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e será encaminhada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
No requerimento, parlamentares afirmam que Moraes teria procurado Galípolo ao menos quatro vezes para tratar de interesses ligados ao Banco Master, conforme relato da jornalista Malu Gaspar — versão que é negada pelo ministro.
Para a oposição, a conduta não estaria alinhada com o padrão esperado de um integrante da Suprema Corte. O texto pede o afastamento de Moraes e sua responsabilização com base na Lei nº 1.079, de 1950, que trata dos crimes de responsabilidade
O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto (PL-RJ), informou que o pedido será oficialmente protocolado no início do ano legislativo, em fevereiro de 2026. Até lá, a estratégia é ampliar o apoio parlamentar.
“Temos que esperar os demais congressistas que não puderam interromper seus recessos. Temos a assinatura de 100 deputados e 14 senadores. Queremos chegar a 200 congressistas”, afirmou a jornalistas.
Embora não exista exigência legal de um número mínimo de assinaturas para a apresentação de pedidos de impeachment contra ministros do STF, a decisão de dar andamento ou arquivar a solicitação cabe exclusivamente ao presidente do Senado. As assinaturas funcionam apenas como instrumento de pressão política. Caso o pedido avance, a eventual condenação exige o voto favorável de dois terços dos senadores.
Além do impeachment, a oposição também pretende avançar com a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o suposto vínculo entre Moraes e o Banco Master.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirmou que o grupo vai atuar simultaneamente nas duas frentes. “Vamos protocolar esse pedido de impeachment e nos engajarmos na CPMI do Banco Master”, declarou.
Segundo Jordy, o pedido de CPMI já conta com a assinatura de 170 deputados e 20 senadores, e a expectativa é alcançar o número necessário após o recesso.
“Assim que voltarmos aos trabalhos legislativos já instalaremos a CPMI e assim passar tudo isso a limpo e não deixar que o Supremo Tribunal Federal, na figura de Alexandre de Moraes, continue envergonhando o nosso país”, disse. Para a abertura da comissão, a Constituição exige o apoio mínimo de 171 deputados e 27 senadores, além da definição de fato determinado e prazo de funcionamento.
Parlamentares de esquerda, como Heloisa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchiona (PSOL-RS), também se manifestaram favoráveis à instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master, ainda que por motivações distintas da oposição de direita.
(Foto: reprodução vídeo; Fonte: Poder360)











