Por: Edson Sampaio
O cenário político de Manaus testemunhou, nos últimos dias, um episódio que desafia a imagem de “gestor inabalável” que o prefeito David Almeida (Avante) tentou construir ao longo de seu mandato. Em um vídeo que circula nas redes sociais — e que já se tornou objeto de escrutínio público —, Almeida não apenas sinaliza um recuo estratégico, mas adota um tom de lamento que beira o desabafo emocional, levantando dúvidas: estaríamos diante de uma genuína autocrítica ou de uma encenação calculada para conter a sangria de sua popularidade?
O “Erro” da Comunicação como Cortina de Fumaça
No vídeo, David Almeida admite que seu “grande erro” foi acreditar que o trabalho falaria por si só, negligenciando a comunicação. Essa narrativa, batizada de “Operação Verdade”, tenta transformar a ineficiência política em uma espécie de “excesso de dedicação ao trabalho”. É uma manobra clássica: o governante assume uma falha menor (a falta de propaganda) para evitar o confronto com falhas maiores (as investigações que o cercam e as crises de infraestrutura).
Ao se colocar no papel de quem “aprendeu que a notícia vem antes do fato”, o prefeito tenta desarmar a oposição. Contudo, para o observador crítico, o lamento soa como uma confissão de isolamento. O recuo não é sobre o que foi feito, mas sobre como ele é percebido. O “olho no olho” prometido agora parece mais uma tentativa desesperada de reconectar-se com uma base eleitoral que começa a ver fissuras no discurso oficial.
Vítima ou Articulador?
O tom melancólico do vídeo contrasta bruscamente com as recentes ameaças de retirada de apoio a aliados sob o pretexto de “traição”. David Almeida transita, conforme a conveniência, entre o gestor incompreendido e o líder acuado por “pessoas invisíveis”. Esse comportamento revela um político que, sentindo o cerco das investigações e a pressão parlamentar, busca no vitimismo o último refúgio para justificar mudanças de lado e rupturas políticas iminentes.
Conclusão: O Custo da Realidade
A “Operação Verdade” de Almeida é, ironicamente, uma admissão de que a realidade das ruas de Manaus superou a ficção das redes sociais. O recuo político, disfarçado de humildade cristã e lamento administrativo, é o sinal mais claro de que a autossuficiência da gestão ruiu.
O prefeito, que antes ignorava debates e críticas com um silêncio altivo, agora precisa gravar vídeos pedindo desculpas por “trabalhar demais e falar de menos”. Resta saber se o eleitorado manauara aceitará esse “mea culpa” tardio ou se o verá pelo que realmente parece ser: o choro de quem percebe que o capital político está se esgotando antes do tempo.











