O tabuleiro político do Amazonas foi virado de cabeça para baixo após o racha público entre o senador Omar Aziz e o prefeito de Manaus, David Almeida. O que antes era tratado como um arranjo natural — com a filha do prefeito figurando como possível vice na chapa majoritária — agora ficou no passado. A ruptura não apenas sepultou essa hipótese como abriu espaço para uma disputa intensa nos bastidores sobre quem ocupará a vaga mais estratégica da futura candidatura ao Governo do Estado.
Com a aliança desfeita, Omar Aziz dá sinais claros de que pretende distanciar sua chapa do grupo político comandado por David Almeida, reposicionando-se no centro de uma coalizão mais ampla, com capilaridade no interior e trânsito sólido no Legislativo. Nesse novo desenho, surgem nomes experientes e com peso político real.
Entre os cotados estão o ex-prefeito de Parintins, Bi Garcia, liderança consolidada no Baixo Amazonas; o ex-prefeito de Manacapuru, Beto D’Ângelo, com forte base regional; e o presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, que representa a voz coletiva dos prefeitos do interior. Todos são nomes respeitados, mas dois despontam com força muito acima da média.
Saullo Vianna: o elo com Brasília e o interior

O deputado federal Saullo Vianna emerge como um dos favoritos. Jovem, articulado e com trânsito direto em Brasília, Saullo reúne atributos estratégicos: acesso a recursos federais, bom relacionamento com prefeitos e uma imagem de renovação política sem romper com a experiência. Nos bastidores, aliados de Omar apontam que Saullo agrega densidade eleitoral no interior e reforça o discurso de gestão e resultados, algo que o senador quer explorar na campanha.
Além disso, Saullo representa um perfil que dialoga com diferentes espectros políticos, sem amarras a grupos locais que hoje enfrentam desgaste. Para Omar Aziz, seria um vice que soma, amplia e não cria dependências.
Roberto Cidade: força institucional e comando político

Outro nome que cresce de forma consistente é o do deputado estadual Roberto Cidade, presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas. Comando institucional, articulação política refinada e profundo conhecimento do jogo legislativo fazem de Cidade um ativo valioso. Sua presença na chapa garantiria base sólida no Parlamento, estabilidade política e capacidade de governabilidade desde o primeiro dia.
Roberto Cidade também simboliza organização, estrutura e poder de articulação — fatores decisivos em uma eleição estadual complexa como a do Amazonas. Para muitos analistas, ele seria o contraponto ideal ao perfil executivo de Omar Aziz.
Recado direto ao prefeito de Manaus
O movimento é claro: ao priorizar nomes como Saullo Vianna e Roberto Cidade, Omar Aziz se afasta definitivamente da órbita política de David Almeida. A exclusão de qualquer indicação ligada ao prefeito de Manaus não é apenas simbólica; é estratégica. O senador parece decidido a construir uma chapa independente, sem tutelas e sem heranças políticas que possam comprometer seu projeto.
Nos bastidores, a leitura é unânime: o vice de Omar Aziz não virá da Prefeitura de Manaus. Virá do interior fortalecido, do Congresso Nacional ou do comando do Legislativo estadual.
A decisão que pode definir a eleição
A escolha do vice-governador será mais do que um gesto político — será um sinal claro do rumo que Omar Aziz pretende dar ao Amazonas. Se optar por Saullo Vianna, reforça o eixo federal-interior. Se escolher Roberto Cidade, consolida a governabilidade e o peso institucional. Em ambos os casos, o recado é o mesmo: o novo projeto passa longe de David Almeida.
A pergunta já não é mais se Omar Aziz terá um vice forte, mas qual força ele quer priorizar para vencer a eleição e governar o Amazonas. O relógio político corre, e os bastidores fervem.











