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Enquanto Bolsonaro enfrenta restrições, Lula teve até esteira ergométrica na cela

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Quando se comparam as duas prisões, o contraste no tratamento dado aos dois presidentes é flagrante

Em entrevista a um podcast, nesta segunda-feira, 1º, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o tratamento dado ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é “pior que o dado a traficante”.

Bolsonaro começou a cumprir a pena de quase 30 anos de prisão na semana passada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente por suposto “plano de golpe”, que não ocorreu.

O ex-presidente está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Na justificativa para a prisão, Moraes citou uma vigília convocada por Flávio para ocorrer em frente à casa do pai, onde o ex-presidente cumpria medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, mesmo estando em prisão domiciliar.

Segundo Moraes, a vigília colocava “em risco a ordem pública e a efetividade da lei penal”.

Na Superintendência da PF, segundo Flávio, o ex-presidente evita consumir alimentos e bebidas fornecidos no local por desconfiar da procedência.

“Ele se recusa a consumir qualquer coisa de comida e bebida que é fornecida lá dentro de onde ele está, não por causa dos policiais, mas porque tem uma desconfiança da origem disso”, afirmou o senador no podcast.

Flávio também disse que as notícias sobre o estado de saúde do ex-presidente são vagas e que confia mais nas informações repassadas pelos advogados que o visitam. Bolsonaro tem tido crises de soluços e problemas de digestão ainda decorrentes da tentativa de assassinato deglagrada por um ex-militante do PSOL, em 2018.

Bolsonaro enfrenta restrições para visitas

Para regular o fornecimento de refeições, Moraes autorizou que apenas Carlos Eduardo Antunes Torres, irmão de Michelle Bolsonaro; o ex-assessor Marcus Antonio Machado Ibiapina; e o tenente Kelso Colnago dos Santos possam entregar alimentos ao ex-presidente, seguindo horários estabelecidos, cadastramento prévio e inspeção obrigatória.

O ministro também restringiu o protocolo de visitas. Agora, Bolsonaro só pode receber familiares em dias e horários previamente definidos, com autorização antecipada e cada parente tem direito a uma visita semanal de até 30 minutos sob supervisão da Polícia Federal.

Privilégios de Lula

O contraste entre o tratamento imposto a Bolsonaro e o que foi ofertado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é flagrante. O petista passou 580 dias preso na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba.

No dia 12 de julho de 2017, o então juiz Sergio Moro, de primeira instância, condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação penal envolvendo um triplex no Guarujá. Na segunda instância, a pena foi aumentada para 12 anos e um mês.

Durante os 580 dias de prisão, a militância esquerdista manteve um acampamento do lado de fora do prédio da PF aguardando a soltura do líder.

Enquanto esteve preso, Lula recebeu diversas visitas e, depois de solto, revelou o tratamento ameno recebido por parte dos agentes. Tanto que, depois de voltar à Presidência, o petista chamou seu ex-carcereiro, o policial federal Paulo Rocha Gonçalves Junior, para atuar na Presidência da República.

Lula teve até esteira ergométrica quando esteve preso na sede da PF

Um dos casos emblemáticos dos privilégios concedidos a Lula remonta à autorização dada pela juíza federal Carolina Moura Lebbos para que uma esteira ergométrica fosse instalada na cela de 15 metros quadrados ocupada pelo petista.

A magistrada também permitiu visitas regulares de dois médicos de confiança do ex-presidente – um cardiologista e um infectologista –, com base no relatório médico que apontou limitações físicas, hipertensão controlada com remédios e acompanhamento oncológico. Entre os profissionais estava Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde.

Além disso, Lula recebeu autorização para utilizar um aparelho de música com fones de ouvido, sem acesso à internet ou telefonia. A decisão seguiu orientação da Polícia Federal.