A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) consolida um cenário já apontado por analistas políticos. Neste cenário, a 1ª Turma da Corte permanecerá sob forte influência do presidente Lula da Silva. Com a sua provável nomeação, quatro dos cinco ministros do colegiado terão sido escolhidos pelo petista ao longo de seus mandatos.
A única exceção é Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer em 2017. Moraes se projeta, segundo críticos, como o principal articulador de decisões que, na prática, favorecem o governo atual.
Messias e a futura composição da 1ª Turma; confira:
- • Cármen Lúcia – indicada por Lula em 2006;
- • Dias Toffoli – indicado por Lula em 2009;
- • Flávio Dino – indicado por Lula em 2023;
- • Jorge Messias – indicado por Lula em 2025;
- • Alexandre de Moraes – indicado por Michel Temer em 2017
Com esse arranjo, a oposição afirma que o colegiado continuará “contaminado” pela influência política do lulismo. Essa influência se evidencia principalmente em julgamentos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu entorno.
A 1ª Turma tem sido responsável por decisões emblemáticas em processos relacionados sobretudo aos atos de 8 de Janeiro. Isso inclui investigações sobre alegadas manifestações antidemocráticas e acusações criminais contra parlamentares alinhados à direita. A atuação, vista como rigorosa por aliados de Bolsonaro, reforça desse modo a percepção de que o grupo governista mantém vantagem estrutural nos julgamentos de maior interesse político.
A chegada de Messias tende a ampliar essas críticas. O advogado-geral da União construiu sua carreira dentro de governos petistas. Assim, ficou nacionalmente conhecido no episódio em que Dilma Rousseff o chamou de “Bessias”. O caso refere-se a um áudio divulgado pela Operação Lava Jato. A referência consolidou seu simbolismo como um operador jurídico ligado ao núcleo duro do PT. Opositores o apontam agora como figura negligente diante do escândalo de corrupção no INSS.
Justiça contaminada
Para defensores do governo, a acusação de contaminação política é infundada. Afirmam que a 1ª Turma atua de acordo com a Constituição. Argumentam que a predominância de indicados por Lula decorre da sua natural longevidade no poder. Contudo, o impacto político da nova configuração é inegável. Dessa forma, a indicação protege o governo de derrotas relevantes em um colegiado estratégico e aprofunda a disputa narrativa sobre a neutralidade do tribunal.











