Menu

Rede de olheiros do Comando Vermelho monitorava a polícia em tempo real

WhatsApp
Facebook
Telegram
X
LinkedIn
Email

Trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro revelam a existência de uma rede organizada de olheiros do Comando Vermelho (CV) espalhados por toda a cidade. Integrantes da facção se revezavam 24 horas por dia em grupos de WhatsApp para informar, em tempo real, a movimentação de viaturas, comboios e ações policiais. O esquema incluía câmeras de segurança, drones e até monitoramento das portas de batalhões.

​Os grupos eram supervisionados por Carlos da Costa Neves, o “Gadernal”, considerado o “general de guerra” do CV e um dos principais alvos da operação recente nos complexos da Penha e do Alemão. Segundo as investigações, ele coordenava as estratégias de vigilância e recebia relatórios detalhados de olheiros posicionados em pontos estratégicos como a Avenida Brasil, Linha Amarela, Paulo de Frontin e Rua 24 de Maio.

As mensagens mostram que os espiões informavam desde a saída de comboios do 16º BPM, em Olaria, até o deslocamento de blindados e ambulâncias da Força Nacional. Em um áudio, um olheiro tranquiliza o grupo: “Tá passando só ônibus da PM mesmo. Vazio.” Outro alerta sobre viaturas do Choque seguindo pela Avenida Paulo de Frontin em direção ao Túnel Rebouças. Até movimentações do Exército e de carros do Ministério Público foram relatadas nos grupos.

A rede também usava drones e câmeras instaladas nas favelas. Em uma das conversas, um comparsa explica o custo do sistema: “Cada câmera é R$ 200, e cada Wi-Fi, R$ 50. Fica R$ 250 cada ponto.” O monitoramento por vídeo era constante em locais como o Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, controlado por Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”. Alguns drones tinham garras capazes de lançar explosivos.

Ontem (1º), a Polícia Civil e a PM prenderam um homem em Queimados, na Baixada Fluminense, acusado de atuar como olheiro da facção. As corporações afirmam que seguem monitorando o esquema em ambiente virtual e físico para identificar outros integrantes da rede de vigilância criminosa que mantém o tráfico um passo à frente das operações policiais.