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Bolsonaro e condenados por suposta tentativa de golpe têm até hoje para recorrer

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Ex-presidente e aliados devem apresentar embargos de declaração ao Supremo Tribunal Federal

As defesas dos oito condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, têm até esta segunda-feira, 27, para apresentar recursos. O prazo começou a contar com a publicação do acórdão do julgamento, divulgada na quarta-feira 22.

O documento mantém a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe, organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e destruição de patrimônio tombado. A decisão também alcança ex-ministros e militares acusados de integrar o núcleo central da suposta trama.Play Video

Estrutura do grupo e acusações

Segundo o acórdão, o STF considera que Bolsonaro teria liderado uma organização criminosa armada com o objetivo de limitar a atuação do Judiciário e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2022. O texto afirma que o grupo teria atuado entre julho de 2021 e 8 de janeiro de 2023, utilizando a estrutura do Estado para colocar em prática um suposto projeto de poder autoritário.

Entre os condenados estão o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), o ex-ministro Anderson Torres, o general Augusto Heleno, o almirante Almir Garnier, o tenente-coronel Mauro Cid, o general Paulo Sérgio Nogueira e o general Walter Braga Netto. O acórdão também aponta que Bolsonaro teria se aliado a pessoas de “extrema confiança” para organizar ações que poderiam levar à ruptura institucional.

Estratégia e próximos passos

Ainda conforme o documento, o grupo teria ampliado ataques coordenados contra o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A intenção seria a de desacreditar o sistema eleitoral e preparar terreno para um possível golpe caso o então presidente fosse derrotado nas urnas.

Com a publicação do acórdão, as defesas podem apresentar embargos de declaração. Este recurso é usado para apontar omissões ou contradições na decisão. O julgamento desses pedidos pode ocorrer ainda nesta semana. Também há a possibilidade de embargos infringentes, embora o STF entenda que esse tipo de recurso só cabe quando há dois votos pela absolvição.

O presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, definirá o rito de análise. O relator Alexandre de Moraes pode solicitar sessão extraordinária para acelerar o julgamento.

Situação de Bolsonaro

O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em outro processo, que investiga uma suposta tentativa de interferência da família Bolsonaro no Judiciário em articulação com o governo de Donald Trump. A análise dos recursos no STF pode levar à revisão do regime de cumprimento da pena.

A defesa pretende alegar problemas de saúde e pedir a manutenção da prisão domiciliar. Moraes decidirá se mantém Bolsonaro em casa, o transfere para uma unidade militar ou para uma instalação da Polícia Federal.