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PGR pede condenação de Militares do Núcleo 4: “desinformação do processo eleitoral’

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Nesta terça-feira (14), a 1ª Turma da Corte julga a responsabilidade de sete acusados que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), formavam o ‘núcleo 4’ da suposta ‘organização’.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, pediu a condenação de todos os integrantes do grupo, alegando que eles atuaram de forma coordenada para ‘disseminar desinformação’ e fragilizar a ‘confiança’ nas instituições democráticas.

Segundo o PGR, os acusados “se dedicaram a fabricar e a disseminar narrativas falseadas no intuito de incutir na população a convicção de que a estrutura democrática estava se voltando sordidamente contra o povo”.

Gonet afirmou que o núcleo 4 teve papel essencial no fortalecimento do ambiente de ‘instabilidade social’ que culminou no 8 de janeiro de 2023.

Ele ressaltou que a condenação do núcleo 1 “tornou incontroversa a materialidade” da tentativa de ruptura institucional liderada por Bolsonaro e que o novo grupo, agora sob julgamento, “elaborou e disseminou narrativas falsas contra o processo eleitoral, contra os poderes constitucionais e as autoridades que os representam”.

A denúncia aponta que os acusados utilizaram ilegalmente a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para fins políticos.

Segundo o Ministério Público, o policial federal Marcelo Bormevet e o militar Giancarlo Rodrigues se valeram de ferramentas da agência sob coordenação do então diretor-geral Alexandre Ramagem, já condenado no núcleo 1 a 16 anos de prisão.

De acordo com a PGR, os agentes lançaram mão do programa de espionagem FirstMile, que permitia o rastreamento em tempo real da localização de celulares. A ferramenta teria sido usada para monitorar adversários políticos e alimentar o sistema de desinformação do grupo. “As ações da célula de contrainteligência ganharam intensidade a partir da radicalização dos discursos públicos de Jair Bolsonaro em meados de 2021”, destacou Gonet.

Os sete réus são acusados de articular a propagação de notícias falsas sobre o processo eleitoral e de atacar virtualmente autoridades e instituições. A lista inclui:

Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército;

Ângelo Denicoli, major da reserva;

Giancarlo Rodrigues, subtenente;

Guilherme Almeida, tenente-coronel;

Reginaldo Abreu, coronel;

Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal;

Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.

A acusação detalha que parte das informações obtidas com o FirstMile teria sido usada em redes sociais e perfis falsos para ‘propagar conteúdos’ que questionavam o sistema eleitoral e ‘atacavam’ ministros do STF.

Com a nova fase do julgamento, o STF deve avaliar o grau de envolvimento de cada réu e o impacto das ações do grupo na preparação do movimento golpista de 2023 — um processo que, segundo o Ministério Público, “teve como pilar o uso deliberado da mentira como arma política”.