Juruá (AM) — A estiagem severa que assola o Amazonas transformou o cotidiano da Comunidade Fonte das Graças, localizada na área indígena Paupixuna, em um cenário de desespero e urgência. Isoladas pelo baixo nível dos rios, dezenas de famílias vivem uma crise humanitária sem precedentes e clamam por socorro imediato dos governos estadual e federal.
Com os lagos e igarapés completamente secos, a comunidade enfrenta escassez de alimentos, água potável, medicamentos e produtos de higiene básica. A situação é crítica: o transporte fluvial — principal meio de acesso à localidade — está praticamente interrompido, dificultando o envio de ajuda humanitária e a locomoção dos moradores.
“A pesca desapareceu. Os lagos secaram e a comida está acabando. As crianças e os idosos estão sofrendo, e não temos mais como sair da comunidade”,
Segundo informações de moradores, a seca é uma das piores já registradas nos últimos anos. Com o distanciamento dos pontos de pesca e o solo rachando em várias áreas, o abastecimento alimentar entrou em colapso. A população sobrevive de forma precária, reutilizando a pouca água disponível — muitas vezes imprópria para o consumo humano.
A Prefeitura de Juruá informou que já comunicou o caso à Defesa Civil Estadual e ao Governo Federal, solicitando envio urgente de cestas básicas, galões de água potável, medicamentos e kits de higiene.

“A situação da comunidade Fonte das Graças é gravíssima. Estamos monitorando, mas o acesso é difícil. Precisamos da atuação conjunta do Governo do Estado e do Exército para levar ajuda o mais rápido possível”, afirmou um representante da Prefeitura de Juruá.
A Defesa Civil do Amazonas também reconheceu a gravidade do cenário. Em nota, o órgão informou que as equipes estão em fase de levantamento de comunidades mais afetadas para envio de auxílio.

“O Amazonas enfrenta um dos períodos mais severos de estiagem das últimas décadas. Estamos mobilizando logística para chegar às localidades isoladas, inclusive nas áreas indígenas do Juruá”,
Enquanto a ajuda não chega, a comunidade tenta resistir. O silêncio dos lagos secos e o calor intenso simbolizam a luta diária pela sobrevivência no coração da Amazônia.
Especialistas alertam que o fenômeno pode se agravar nas próximas semanas, com impacto direto na segurança alimentar, na saúde e na preservação ambiental. Para os moradores de Fonte das Graças, a esperança agora depende da rapidez e da sensibilidade das autoridades.
“Não é só a seca que castiga — é o esquecimento. Precisamos ser lembrados antes que seja tarde demais”, desabafou um morador emocionado.











