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Postos com marca Corinthians têm ligação com investigados do PCC

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Empresas ligadas a alvos da Operação Carbono Oculto controlam 3 postos com a grife do clube, na zona leste de São Paulo

Empresas ligadas a investigados na Operação Carbono Oculto, considerada a maior ofensiva contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), são proprietárias de três postos que ostentam a marca oficial do Corinthians em São Paulo.

Os endereços desses estabelecimentos aparecem na base da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), vinculados a alvos da operação, deflagrada em agosto.

O clube declarou que não gerencia diretamente os postos. Eles funcionam sob licença concedida a uma empresa intermediária responsável pelos contratos e uso da marca Corinthians. Conforme informou em nota oficial, a gestão monitora a situação e pode tomar medidas judiciais, se houver necessidade.

Levantamento revela alcance dos investigados

Polícia Federal
Polícia Federal teve apoio da Receita na Operação Carbono Oculto | Foto: Reprodução/Polícia Federal

Levantamento realizado ao cruzar informações da Receita Federal e da ANP identificou que pelo menos 251 postos de combustíveis pertencem a 16 pessoas investigadas em quatro Estados. Os três postos que usam a marca do Corinthians funcionam na zona leste da capital paulista, todos classificados como bandeira branca e registrados na ANP sob diferentes razões sociais.

Esses estabelecimentos têm os seguintes registros:

  • Auto Posto Mega Líder Ltda, na Avenida Líder, 2000;
  • Auto Posto Mega Líder 2 Sociedade Unipessoal Ltda, na Avenida São Miguel, 6337; e
  • Auto Posto Rivelino Ltda, na Avenida Padre Estanislau de Campos, 151.

O Corinthians reconhece oficialmente todos os estabelecimentos, que contaram com divulgação do clube em suas inaugurações, entre 2021 e 2023.

O portal O Bastidor revelou, em maio de 2025, que Luiz Ernesto Monegatto e Pedro Furtado Gouveia Neto eram proprietários dos postos antes da operação policial. No caso do Auto Posto Rivelino, a Receita Federal aponta Pedro Furtado Gouveia Neto como proprietário, enquanto a ANP registra Himad Abdallah Mourad como responsável.

Ambos são investigados como integrantes do grupo liderado por Mohamad Hussein Mourad, que, segundo a Justiça, é figura central em um esquema de crimes que movimentou mais de R$ 8,4 bilhões, incluindo lavagem de dinheiro e fraudes.

Pedro Furtado Gouveia Neto, representante da GGX Global, sofreu busca e apreensão e seria peça-chave na gestão dos postos da rede de Mourad.

Himad Abdallah Mourad, primo de Mohamad, seria responsável por estruturar empresas e ocultar patrimônio. Ele também foi alvo de mandados.

Irregularidades cadastrais e contratos do Corinthians

Os postos Mega Líder e Mega Líder 2 estão associados a Luiz Ernesto Franco Monegatto, também alvo da operação. A Justiça aponta Monegatto como sócio de empresas de combustíveis e transações imobiliárias suspeitas de lavagem de dinheiro para o grupo de Mourad.

O nome Mega Líder aparece com registros divergentes entre a Receita Federal e a ANP, sendo que na ANP o cadastro está como Auto Posto Timão Ltda. A agência declarou que a diferença caracteriza irregularidade e notificará as empresas para correção, com a possibilidade de suspensão da autorização.

Esportes da Sorte é principal patrocinadora do Corinthians | Foto: Reprodução/Twitter/X
Camisa do Corintihans | Foto: Reprodução/Twitter/X

O contrato para funcionamento do Auto Posto Timão ocorreu em 30 de abril de 2021, durante a presidência de Duilio Monteiro Alves. Ele explicou que os contratos e aditivos recebam aval de órgãos do Corinthians e que conduziu a assinatura com empresas autorizadas. “Desconheço que tenha havido qualquer irregularidade ou denúncia feita sobre esse contrato até o último dia de minha gestão”, afirmou, ao portal g1.

O ex-presidente acrescentou que as cláusulas contratuais garantem responsabilidade operacional. Assim, permite que o Corinthians seja ressarcido em caso de prejuízo à instituição ou à sua imagem.

As investigações também sugerem suspeita de envolvimento do clube com o PCC, inclusive pelo uso de notas fiscais de abastecimento em postos ligados a investigados e pelo aluguel de imóveis de um suposto integrante da facção. Ele não foi alvo da operação, e pelo uso de notas fiscais de abastecimento em postos ligados a investigados.

O que diz o clube

“O Sport Club Corinthians Paulista informa que não é o administrador responsável pelos postos de gasolina citados pela reportagem”, informou. “Nesses casos o Clube esclarece que trata-se de um contrato de licenciamento de sua marca. O Corinthians também informa que acompanha com máxima atenção o andamento das investigações para — se necessário — tomar as medidas jurídicas cabíveis em relação aos contratos de licenciamento com os postos de gasolina citados pela reportagem.”

Veja também a declaração de Duílio Monteiro Alves:

“Trata-se de um contrato de licenciamento que previa a criação da rede de postos Corinthians, já existente no clube antes da minha posse como presidente. Os aditivos contratuais assinados em minha gestão autorizaram a operação das primeiras unidades e passaram pelos órgãos competentes do clube, tendo sido assinados com empresas autorizadas por agência fiscalizadora federal. Desconheço que tenha havido qualquer irregularidade ou denúncia feita sobre esse contrato até o último dia de minha gestão. Destaco que nosso Departamento Jurídico ainda incluiu uma cláusula de responsabilização pela operação, que assegura ao clube ser ressarcido por qualquer eventual dano causado à instituição e à sua imagem.”