O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, manifestou preocupação diante das recentes operações da Polícia Federal e do Ibama realizadas no interior do Amazonas, destacando os impactos negativos que tais ações têm gerado em cidades como Manicoré e Humaitá.
Em Manicoré, a operação coincidiu com as festividades da padroeira Nossa Senhora das Dores, no último dia 15 de setembro. Durante a ação, balsas foram incendiadas no rio Madeira, provocando explosões que, segundo relatos locais, ameaçaram a segurança da população próxima ao porto da Matriz. Moradores denunciaram risco de desbarrancamento, além do clima de medo instaurado em plena celebração religiosa.
O caso remete a um episódio semelhante ocorrido em Humaitá, em maio de 2024, quando uma operação da PF acabou coincidindo com a semana de aniversário da cidade, levando ao cancelamento da programação festiva.
Para Anderson Sousa, a falta de diálogo e de coordenação prévia com as autoridades municipais representa um desrespeito às comunidades atingidas:
“Não se trata de questionar a importância das ações contra atividades ilegais, mas sim de exigir que elas sejam conduzidas com responsabilidade social e respeito à vida comunitária. Nossos municípios não podem ser surpreendidos em datas simbólicas e festivas, pois isso agrava ainda mais a sensação de insegurança e desamparo da população”,
O presidente da AAM também ressaltou que prefeitos de diferentes regiões vêm expressando indignação com a forma como as operações têm sido conduzidas, defendendo maior integração entre governo federal, estado e municípios.
“As cidades do interior são as que mais sofrem os impactos diretos dessas medidas. É preciso que os órgãos de fiscalização tenham planejamento, levando em conta não apenas o combate aos ilícitos, mas também a proteção das famílias que vivem e trabalham nesses locais”,
Até o momento, a Polícia Federal não se manifestou sobre as críticas e segue sem apresentar esclarecimentos sobre o planejamento das operações. Enquanto isso, a pressão dos municípios aumenta para que haja uma nova postura, mais sensível às realidades locais, evitando que tradições culturais e religiosas sejam interrompidas por ações que poderiam ser executadas em outras datas sem prejuízo à segurança pública.











