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1ª Turma do STF forma maioria para condenar Bolsonaro por suposto golpe de Estado

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Ex-presidente teria supostamente sido o 'cabeça' do que a maioria dos ministros entendeu como uma tentativa de ruptura institucional

Na tarde desta quinta-feira, 11, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus. A maioria pela condenação se dá pelo crime de formação de organização criminosa armada, em meio ao que seria a suposta trama golpista.

A maioria pela condenação se formou graças ao voto da ministra Cármen Lúcia. Ela teve o mesmo entendimento do relator do processo, Alexandre de Moraes, e de Flávio Dino. O julgamento ocorre na 1ª Turma, que contou com voto divergente de Luiz Fux. O presidente do colegiado, Cristiano Zanin, ainda não votou.

A maioria dos ministros entendeu que o ex-presidente incitou atos contra as instituições e atentou contra o processo eleitoral. Ao fazer apartes durante a leitura de Cármen, Moraes afirmou, mais de uma vez, que Bolsonaro foi o “chefe” da suposta tentativa de golpe.

Com a decisão, o ex-presidente perde os direitos políticos. Ele também terá de pagar multa (valor ainda não estipulado) e terá de cumprir prisão em regime aberto, fechado ou outro efeito — a dosimetria da pena ainda será definida.

cármen lúcia - julgamento de jair bolsonaro pela 1 turma do stf
A ministra Cármen Lúcia. Com voto dela, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus do processo da suposta trama golpista — Brasília (DF), 11/9/2025 | Foto: Antonio Augusto/STF

Bolsonaro ainda pode recorrer da decisão. No meio político, a condenação é vista como um marco para o futuro da direita no Brasil. A mando de Moraes, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília desde 4 de agosto.

Os outros condenados no julgamento de Bolsonaro no STF

Com o voto de Cármen Lúcia, a 1ª Turma do STF formou maioria para condenar, além do ex-presidente, sete integrantes do governo Bolsonaro pelo crime de formação de organização criminosa:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal pelo Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência;
  • Almir Garnier, almirante e ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno, general e ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens da Presidência da República (é o delator do processo);
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; e
  • Walter Braga Netto, general, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e candidato a vice-presidente da República nas eleições de 2022 pelo PL.

De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), os oito réus — que agora se tornam condenados aos olhos do STF — formariam o chamado “núcleo 1” da suposta trama golpista. Conforme o Ministério Público Federal, o grupo teria cometido outros quatro crimes, ainda em análise por Cármen:

  1. tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito;
  2. golpe de Estado;
  3. dano qualificado; e
  4. deterioração de patrimônio público.

Ramagem é o único a responder por três dos cinco crimes listados pela PGR. Por decisão da Câmara dos Deputados, ele deixou de ser réu por dano qualificado e deterioração de patrimônio público.